Mais de 120 países aprovam na ONU primeiro tratado que proíbe armas nucleares


 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   7 de Jul de 2017, 18:18

Mais de 120 países aprovaram, na ONU, o primeiro tratado de sempre que proíbe armas nucleares, com a oposição das nove potências nucleares e da maioria dos países da NATO.

Na votação, 122 países votaram a favor, a Holanda votou contra e Singapura absteve-se.

“O mundo esperava esta norma legal há 70 anos”, desde que as primeiras bombas atómicas foram lançadas, em Hiroshima e Nagasaki, disse a presidente da conferência da ONU que presidiu às negociações, Elayne Whyte Gomez, representante da Costa Rica nas Nações Unidas.

Os países que apoiam o tratado veem nele uma realização histórica, mas os países com capacidade nuclear consideram-no irrealista, afirmando que não vai ter nenhum impacto na redução do atual arsenal mundial, que conta cerca de 15.000 ogivas.

Liderados pela Áustria, Brasil, México, África do Sul e Nova Zelândia, 141 países participaram nas três semanas de negociações do tratado, que preconiza uma proibição total do desenvolvimento, armazenamento e ameaça de utilização de armas nucleares.

Nenhum dos nove países com armas nucleares – Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, Israel, China, Índia, Paquistão e Coreia do Norte – participou nas negociações.

Até o Japão, único país alvo de um ataque atómico, em 1945, boicotou as negociações, assim como a maioria dos países da NATO, incluindo Portugal.

O tratado só se aplica aos Estados signatários.

Para os países que defendem o tratado, ele vai acentuar a pressão sobre os Estados nucleares para que encarem o desarmamento com mais seriedade.

Os países com capacidade nuclear argumentam que os arsenais existentes são essencialmente dissuasores e que estão sujeitos às condições do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), de 1968, que responsabiliza nomeadamente os países pela redução dos seus arsenais.

As organizações que defendem o desarmamento aplaudem o tratado hoje aprovado, considerando que ele vai contribuir para acentuar a estigmatização das armas nucleares junto das opiniões públicas.


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