Mais 90 mil vítimas de violência doméstica recorreram à APAV nos últimos 14 anos

Mais 90 mil vítimas de violência doméstica recorreram à APAV nos últimos 14 anos

 

Lusa/AO Online   Nacional   29 de Dez de 2014, 12:47

O número de vítimas dos crimes de violência doméstica que recorreram aos serviços da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou mais de 30% nos últimos 14 anos, totalizando 90.973 casos.

Dados da APAV hoje divulgados referem que, em 2000, foram registados 5.419 casos e, em 2013, 7.265 casos. A grande maioria das vítimas são mulheres.

A APAV analisou os crimes de violência doméstica entre 2000 e 2012, tendo verificado “algumas oscilações” neste período.

O maior número de vítimas verificou-se em 2002, com 7.543 casos, e o menor em 2005, com 5.346 casos, referem as estatísticas da associação.

Traçando o perfil da vítima, a APAV refere que as mulheres têm vindo a representar a maior percentagem de casos ao longo dos últimos 13 anos, atingindo o valor máximo em 2002, com 6.958 casos.

Adianta ainda que em 17,9% dos casos a vítima tem entre os 36 e os 45 anos e, em 16,2% dos casos, entre 26 e 35 anos.

Os autores dos crimes foram, em todos os anos, maioritariamente homens, tendo atingido o valor máximo em 2002, com 7.042 agressores (93,3%).

Em 27,6% dos casos, o agressor tinha entre 26 e 45 anos e, em 10,6% dos casos, entre 46 e 55 anos.

A relação vítima/autor do crime que regista maior número de casos é a de cônjuge ou companheiro, com um total de 53.506 casos.

A APAV realça ainda que, “na violência doméstica em sentido lato” predominam os crimes de “violação”, ”violação da obrigação de alimentos” e “abuso sexual”, com 1.877, 1.505 e 1.472 casos, respetivamente.

“Na violência doméstica em sentido estrito”, destacam-se os crimes de “maus tratos psíquicos”, com o registo de 56.344 casos, seguido dos “maus tratos físicos”, com 50.935 casos.

A APAV analisou também os crimes de homicídio ocorridos neste período, adiantando que o número de vítimas deste crime totalizou 619.

Segundo a associação, “houve um aumento significativo” de casos de 2010 (72 casos) para 2011, ano em que foi registado o maior número de vítimas (125), voltando a baixar em 2012 (92).

As mulheres têm vindo a representar a maior percentagem de vítimas ao longo dos últimos 13 anos, atingindo o valor máximo em 2011, com 100 vítimas.

Os dados referem que, em 16,5% dos casos, as vítimas tinham entre os 36 e os 45 anos e, em 13,4% dos casos, entre os 46 e os 55 anos.

O estado civil das vítimas deste crime mais representativo nos últimos 13 anos é o de casado, com um total de 243 vítimas, representando 39,3% dos casos.

Os homens são os principais autores deste crime, tendo atingido em 2011 o valor máximo, com 98 autores do crime (78,6%).

 



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