Maioria das obras de reabilitação urbana no Porto violam regras de segurança

Maioria das obras de reabilitação urbana no Porto violam regras de segurança

 

Lusa / AO online   Nacional   29 de Nov de 2014, 11:27

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Abano Ribeiro, afirmou hoje que 70% das obras de reabilitação urbana que decorrem no Porto violam as regras de segurança.

 

Em conferência de imprensa, Albano Ribeiro apontou o dedo à Câmara do Porto e à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), afirmando que “se não forem tomadas medidas, o Porto vai dar um enorme contributo para o número de mortes no setor”.

“A reabilitação urbana é muito importante para o setor, mas não pode ser feita desta forma”, sustentou.

Criticando o presidente da autarquia, o independente Rui Moreira, e o vereador da habitação, o socialista Manuel Pizarro, por não “reconhecerem o sindicato como um parceiro social”, Albano Ribeiro exigiu “respeitabilidade”, designadamente por terem dito, em campanha eleitoral, que “todas as forças vivas da cidade seriam convidadas a intervir em conjunto”.

Segundo referiu, este ano, nestes 11 meses, já morreram 34 trabalhadores da construção no país, número que é já idêntico ao contabilizado em 2013.

“A nossa preocupação é que as mortes possam aumentar de forma muito acentuada”, mais ainda se o inverno for “muito rigoroso”, frisou.

O sindicalista marcou a conferência de imprensa para hoje, dia em que termina a Semana de Reabilitação Urbana Porto 2014, na qual, considerou, “o sindicato foi posto de lado”.

“Sabemos que a grande alternativa à crise no setor é a reabilitação urbana, é importante dar continuidade às [políticas de] energias renováveis e à [construção da] via-férrea”, disse, criticando novamente Rui Moreira, “que nunca quis ouvir o sindicato”.

Num périplo que efetuou pela cidade, o sindicato fotografou situações de incumprimento das regras de segurança, como trabalhadores a partir placas de amianto com os pés, sem qualquer fato de proteção vestido, obras sem escoramento e trabalhadores em telhados sem linha de vida.

“Vamos fazer tudo para que isto desapareça (…). Vamos solicitar uma reunião ao ministro [com a tutela das Obras Públicas] e uma reunião ao responsável máximo da ACT, sensibilizando-os para esta situação”, adiantou.

Na opinião de Albano Ribeiro, quem está no mercado a trabalhar violando as regras de segurança “não são empresas, mas pessoas que se uniram sem ter alvará”.

“Os custos [da obra] por metro quadrado são diferentes para empresas que não cumprem as regras”, disse.

Nesta conferência, o sindicalista deu ainda um exemplo de um trabalhador que caiu de uma obra, no Porto, partindo um braço e uma perna, a quem o patrão encaminhou para o hospital pedindo-lhe que referisse que a situação tinha ocorrido em sua casa, pelo facto de não ter seguro de trabalho.


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