Maior naufrágio pesqueiro em Portugal foi há 65 anos

Maior naufrágio pesqueiro em Portugal foi há 65 anos

 

Lusa / AO online   Nacional   1 de Dez de 2012, 10:47

O maior naufrágio pesqueiro em Portugal aconteceu há 65 anos, quando, na madrugada de 02 de dezembro de 1947, quatro traineiras afundaram ao largo da costa entre a Aguda (Gaia) e Leixões (Matosinhos), levando consigo 152 pescadores.

 

Entre as tripulações das embarcações de pesca D. Manuel, S. Salvador, Maria Miguel e Rosa Faustino apenas se salvaram seis pessoas, recordou à Lusa José Brandão, presidente da Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos.

Com 14 anos em 1947, José Brandão contou que também o seu pai foi ao mar naquela madrugada em busca de “sardinha grande na Figueira da Foz” e como “com dificuldade conseguiu salvar-se”.

“Apanhou o temporal”, disse, “mas quando saíram as 108 traineiras de Matosinhos estava bom tempo, embora o vento já soprasse de sul”.

Segundo José Brandão, conforme caiu a noite apareceu a tempestade e, com o vento a soprar sueste e depois noroeste, “levantou-se o mar”.

Mestre Cheta, atualmente com 87 anos, estava no mar naquela madrugada “turbulenta” na traineira Senhora das Neves, uma das embarcações que se fez ao mar naquela noite, recordando a madrugada como “inesquecível”.

“A Senhora das Neves aguentou”, concluiu, recordando que sem GPS, os pescadores orientavam-se pelas “estrelas e faróis da costa”.

A obra “Sobreviventes”, das jornalistas Lúcia Gonçalves e Cristina Freitas, editada este ano, relata a experiência de Mestre Cheta, que recordou que pelas duas da manhã avistou o mestre da Rosa Faustino, embarcação que acabou por naufragar.

“Ele também apanhou sardinha, 800 cabazes, parece que estou a vê-lo, à proa, regalado com o peixe, a ver a rede… parece que estou a vê-lo e ele também lá foi”, testemunhou.

Para marcar a data, a Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos deposita no domingo de manhã uma coroa de flores na praia do Titan, em Matosinhos, junto à escultura “Tragédia no Mar”, de José João Brito.

Esta escultura, feita a partir de uma pintura de Mestre Augusto Gomes, apresenta cinco mulheres em desespero naquela praia.

A tragédia de 1947 deixou mais de uma centena de crianças órfãs e 71 viúvas.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.