Madeira levanta alerta de mau tempo


 

Lusa/ao on line   Regional   1 de Mar de 2010, 05:33

A reunião de hoje entre José sócrates e Alberto João Jardim acontece no dia em que a Madeira decreta oficialmente o fim da crise provocada pela intempérie de 20 de fevereiro.

Nove dias depois da catástrofe, o Governo Regional da Madeira decide reabrir todas as escolas da ilha, considerando que estão reunidas as condições para tal, e pôs termo aos briefings diários sobre as buscas e a recuperação da ilha.

No seu último encontro com os jornalistas, é o próprio Governo Regional a afirmar em comunicado que "retomada a normalidade e uma vez estabilizado o funcionamento dos serviços, a partir de amanhã cada departamento do Governo Regional informará a opinião pública, consoante as suas áreas de intervenção, sobre a evolução da recuperação das zonas afetadas".

No mesmo comunicado fica um último "recado": "O Governo Regional procurou, desde o primeiro momento, transmitir uma mensagem realista e fundamentada dos factos que ocorreram. Lamenta-se que, ainda assim, fossem muitos os boatos e os movimentos de contrainformação que surgiram, os quais em nada contribuíram para a estabilidade emocional da população e que merecem, para além do repúdio, uma séria reflexão por parte dos seus autores".

Tudo isto no dia seguinte ao atracamento, no Funchal, do primeiro navio de cruzeiro a tocar na ilha desde que as imagens da intempérie varreram o mundo.

Após terramotos no Japão e no Chile e tempestades violentas em toda a Europa, em particular em França, a enxurrada de 20 de fevereiro pertence já à pré-história da memória mundial e o que a ilha tenta rentabilizar agora é a imagem da rápida recuperação que conseguiu impor pelo menos no centro do Funchal.

As zonas mais emblemáticas da capital madeirense estão já recuperadas, a ponto de ninguém conseguir vislumbrar qualquer sinal do dilúvio que a varreu, e nas zonas do Funchal ainda afetadas, como as ribeiras, ainda cheias de detritos, ou a zona envolvente ao centro comercial Dolce Vita, as obras ocorrem dia e noite para restabelecer rapidamente a normalidade.

Mesmo a memória das vítimas mortais encontra-se já pacificada, com a missa em seu sufrágio proferida domingo pelo bispo do Funchal, D. António Carrilho.

Apesar da sua "cara lavada", a Madeira tem ainda o seu "corpo" cheio de feridas, nomeadamente nas zonas mais montanhosas onde verdadeiros rios de lama compacta varreram ruas inteiras e destruíram casas e ruas. Aí as obras continuam, na sua maioria a cargo dos proprietários das casas mas com ajuda a escavadoras das autoridades pública para retirar as lamas dos locais.

Acima do complexo desportivo do Marítimo no topo da cidade, uma das ribeiras que atravessam o Funchal está ainda atulhada de pedras e carros destruídos, numa amálgama surrealista que poderia ser usada quase como um pólo de atração turística dada a sua visão singular.

Os automóveis abandonados e destruídos são, aliás, anormalmente comuns nas ribeiras da ilha afectadas pelas enxurradas, como a que atravessa o Laranjal, no fundo da qual dois carros de uma florista, com desenhos coloridos no capot, e um terceiro, preto, jazem no meio da água: cairam de uma altura de vários metros, da garagem onde se encontravam estacionados, um deles com uma pessoa no interior, que se salvou do pior.

Mas tudo isto faz parte do rol de histórias que cada madeirense passa a poder contar a partir de hoje, dia em que o Governo Regional decidiu que a normalidade voltou por completo à ilha.


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