Lojas de lembranças nascem como cogumelos no Porto

Lojas de lembranças nascem como cogumelos no Porto

 

LUSA/AO Online   Economia   9 de Ago de 2015, 14:22

As lojas de lembranças "made in" Portugal estão a desabrochar em cada rua e esquina do Porto, com americanos a gastarem uma média 40 euros por um 'gift' e angolanos que pagam 100 ou 200 euros por carteiras de pele.

Brincos e pulseiras com azulejo pintado à mão, galos de Barcelos na versão de homem aranha, cortiça embutida em peças de ourivesaria, bordados ou bonecas de pano e xisto com 'design' moderno são apenas algumas das lembranças tradicionais ou reinventadas com 'design' moderno que os turistas no Porto mais compram para levar para os seus países de origem. Os 'best-sellers', como os vendedores gostam de chamar aos artigos mais vendidos, são as peças em azulejo e com cortiça, embora os sabonetes artesanais, as conservas de petingas ou a manteiga de azeita sejam outros 'souvenirs' que os visitantes à cidade invicta levam na bagagem. Há também o ramo dos turistas 'low cost' (baixo custo), como são classificados, por viajarem nas companhias aéreas de baixo custo, e que optam por lembranças mais leves para não pesar nas malas. São os famosos ímanes para o frigorífico. A média de gastos em prendinhas feita por este tipo de turistas varia entre os cinco ou seis euros, conta à Lusa a lojista Otília Machado. Maria Manuel Morais, dona há 15 anos da loja Memórias, na Rua das Flores, conta, por seu lado, que os turistas que chegam através de cruzeiros ao Porto gastam uma média de 40 euros em 'recuerdos'. A lembrança que mais é vendida naquela loja é o azulejo, um “artigo que identifica Portugal inteiro”, explica. Os bordados do Minho feitos à mão também são muito apreciados, designadamente a renda de filé (ponto de nó) de Felgueiras, o bordado de Viana do Castelo, os lenços dos namorados, os puxadinhos e os panos, os sabonetes artesanais embalados em imagens retro da Castelbel, Saboaria Portuguesa ou Confiança e as cerâmicas são outros artigos que se vendem como pãezinhos quentes, tanto a espanhóis e franceses, como japoneses, australianos ou americanos. Dados recentes da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), indicam que no primeiro semestre deste ano, os turistas ingleses são os que lideram a lista de nacionalidades dos visitantes, seguindo-se os alemães e os americanos. A empresária Otília Machado, que abriu em outubro passado e depois de um estudo de mercado, a loja Porto Gift, no centro do Porto, conta que no outono passado registou um turismo sénior a comprar peças mais caras, como artigos em pele da marca Cavalinho e que podem ir até aos 200 euros. Contudo, em época de verão, o que a empresária tem verificado é a chegada de um “turista de mochila às costas”, que pernoita nos 'hostels' e 'guest’s houses', que procura artigos mais baratos como os “azulejos, os ímanes, ou a cortiça”. De um modo geral, a andorinha em barro e o galo de Barcelos são as lembranças que mais são adquiridas pelos turistas que entram na loja Portuguese Cock, que vende os típicos galos e andorinhas em barro, agora reinventados com pinturas modernas que remetem para desenhos animados. Alexandre Queirós, o dono da Portuguese Cock, na Rua das Oliveiras, é um engenheiro alimentar que deixou o mundo das engenharias e se dedica aos trabalhos manuais. Conta que o turista 'low cost' não tem espaço na bagagem e, por isso, o resultado é comprar as tradicionais andorinhas por serem um objeto mais pequeno. Todavia, os seus principais clientes são os portugueses e esses preferem o galo de Barcelos e as imagens de Santo António. Os clientes do artesão Alexandre Queirós, que vão desde hotéis como o Yeatman, a lojas espalhadas por várias cidades portuguesas, tanto podem gastar quatro euros, como podem ir até aos 200 euros. “Depende muito do cliente e se é turista ou português”, conclui. Os turistas gostam de comprar objetos feitos à mão, como confirma à Lusa a cazaquistanesa Dinara Seidakhmetova, de 34 anos, que acaba de chegar de Barcelona (Espanha) para vir descobrir a cidade do Porto durante três dias. Apaixonou-se pela azulejaria portuguesa que viu na Estação de São Bento. “Vi muitos edifícios com azulejos, eu gosto e por isso comprei uns brincos com azulejo, mas também vinho do Porto”, disse Dinara, que no Cazaquistão trabalha na área financeira. Em 2014, o número de dormidas atingiu os 2,6 milhões, tendo aumentado 13,8% face a 2013. E este ano o Porto registou, no primeiro trimestre, um crescimento de 16,3% em termos de dormidas e 18,3% em termos de proveitos totais (alojamento, restauração e similares”, face ao período homólogo de 2014.


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