Livro mostra dia-a-dia dos sem-abrigo em Ponta Delgada

Livro mostra dia-a-dia dos sem-abrigo em Ponta Delgada

 

Lusa/AO Online   Regional   10 de Nov de 2016, 09:55

Cerca de 30 fotografias a preto e branco retratam os sem-abrigo de Ponta Delgada, nos Açores, numa obra que vai ser lançada em dezembro, para chamar a atenção para a realidade de quem vive 24 horas por dia na rua.

“Todos os dias, quando ia para o trabalho, porque sou reformado da Força Aérea e passava pelo Campo de São Francisco, e via pessoas nos bancos a beberem vinho e num estado de certa decadência, fazia-me confusão, por estarem ali, e como ando com uma máquina, decidi fotografa-los”, disse Carlos Olyveira, reformado da Força Aérea.

O livro, que tem cerca de 40 páginas, reúne perto de 30 fotografias a preto e branco, que o autor tirou no último trimestre de 2015, depois de acompanhar o dia-a-dia dos sem-abrigo.

“Passei três meses na chamada fase de aquisição de imagem. Tirei para cima de 300 fotografias com eles. Selecionei aquelas que achava que mais se enquadravam naquele espírito, e surgiu a ideia do livro”, adiantou o fotógrafo, explicando que durante o tempo em que fotografou os sem-abrigo chegou a vivenciar o quotidiano deles.

"Aproximei-me deles para saber a situação, comprei umas sandes e uma garrafa de vinho, e consegui aproximar-me deles e mais ou menos estabelecer um diálogo. Fiz entrevistas com um gravador, tirei fotos e eles foram extremamente recetivos a isto", disse à agência Lusa.

Carlos Olyveira disse que a venda da obra reverterá para a Associação Novo Dia, que faz um trabalho meritório junto deste público-alvo.

“Paralelamente contactei a Associação Novo Dia, quis saber o que estava a fazer com [os sem abrigo] e, nesta base, consegui visitar os [seus] albergues. A parte humana e a resposta que se está a dar a este problema dos sem-abrigo foi o que mais sensibilizou”, sublinhou.

O autor disse que a situação dos sem-abrigo nos Açores é diferente do continente. Na sua maioria, são indivíduos que estavam nos Estados Unidos ou no Canadá e, quando chegaram aos Açores, ou não tinham família ou tinham comportamentos aditivos como alcoolismo ou droga, o que contribuiu para a marginalização.

"Estas pessoas existem. Todos os dias, 24 horas por dia, o ano inteiro e não são para ser relembradas apenas em datas festivas como o Natal. A responsabilidade é de nós todos, para melhorar a vida dos sem-abrigo", alertou, assinalando "o esforço louvável das associações".

A obra tem textos de Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, e de Paulo Fontes, um dos coordenadores da Associação Novo Dia, que enquadra e fala do que é ser sem abrigo, e ainda uma nota do autor.

Carlos Olyveira adiantou que o livro tem três capítulos, o primeiro composto por imagens soltas dos sem-abrigo, o segundo, por oito imagens só do rosto deles e, o último, dedicado a um caso de sucesso de uma mulher sem-abrigo que a associação conseguiu recuperar.

O lançamento do livro está agendado para dezembro e conta com o apoio do Rotary Clube de Ponta Delgada.

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.