Livro de Ramiro Guiñazú lista todos os vinis de Amália Rodrigues de 1945 a 1990

Livro de Ramiro Guiñazú lista todos os vinis de Amália Rodrigues de 1945 a 1990

 

AO/Lusa   Nacional   10 de Ago de 2014, 11:44

O livro "Amália no mundo

 

“Apontei ‘Obsessão’, como meta, pois foi o último álbum com material original, editado em vida, pela fadista, que inclui poetas como Afonso Lopes Vieira e Pedro Homem de Mello, e composições de Carlos Gonçalves e Alain Oulman”, disse à Lusa Ramiro Guiñazú.

O investigador, de 37 anos, arquiteto de profissão, que conheceu Amália Rodrigues, de quem os pais eram amigos, iniciou esta pesquisa há cerca de 15 anos, após a morte da fadista.

“Tive o privilégio de conhecer primeiro a mulher, antes de verdadeiramente reconhecer o [seu] enorme talento artístico”, disse à Lusa.

O livro contém mais de 500 imagens, dando a conhecer “a grande maioria das capas dos discos de vinil de Amália”, das diferentes edições internacionais, “anotando-se a data, o respetivo alinhamento, e acompanhadores sempre que possível”.

Para esta investigação “foi fundamental o editor discográfico português José Moças”, destacou Ramiro Guiñazú.

A obra inclui os discos de 78 rotações por minuto (rpm), os discos de longa duração de três polegadas, os diferentes EP (Extended play), discos em vinil com uma duração entre os 30 e os 50 minutos, os singles, vinis de duração mais curta, de 45 rpm (singles), e os LP (Long playing), de 33 1/3 rpm.

Neste último conjunto “há mais música ligeira ou popular do que fado tradicional”, salientou. Foi um trabalho “feito com gosto e dedicação por uma voz e personalidade únicas”, que fascinaram o investigador.

Ramiro Guiñazú lembra uma visita de dois dias à casa da fadista em Lisboa, que o marcou pelo “magnetismo” de Amália e a “facilidade com que se relacionava com as pessoas”.

“O mais incrível foi o magnetismo que tinha, e a facilidade com que abordava os mais diversos temas, da filosofia à arte, literatura ou até a medicina”, disse.

“Depois, tanto falava com o meu pai, que é médico-cirurgião, como comigo, que era um miúdo, como com as pessoas da casa, e era todos a rir com Amália ou todos a chorarem com ela”, recordou.

“Contava a sua vida com uma grande paixão”, acrescentou.

Em “Amália no mundo – sinais de uma vida nos sulcos do vinil”, num total de 320 páginas, “conta-se a história da artista Amália Rodrigues que o mundo aplaudiu e que foi exímia, quer na interpretação do fado, de que é rainha, como do flamenco, de canções populares sul-americanas, italianas, francesas e norte-americanas”.

“O espólio discográfico 'amaliano' é muito rico em termos de qualidade. As pronúncias em espanhol, em francês ou italiano são impecáveis. Canta italiano como se fosse a língua dos seus pais, e o flamenco em digníssimo espanhol”.

Na opinião do estudioso, “a Espanha ainda não reconheceu, verdadeiramente, o muito que Amália fez pela divulgação internacional do flamenco”.

“O seu registo, nos diferentes géneros musicais, é irrepreensível, Amália tinha uma intuição e um ouvido prodigiosos”, rematou.

Nas interpretações de temas flamencos, “Amália mostra um perfil mais ‘cigano’ de uma artista que sempre se definiu a si mesma como uma ‘cantora ibérica’”.

Para Ramiro Guiñazú, “a carreira internacional de Amália tem uma dimensão que a maioria dos portugueses ainda desconhece, não só os palcos que pisou, como através dos discos, e onde chegou”.

A edição do livro, da Tradisom, tem incorporado um vinil e dois CD. Um CD é constituído por temas de flamenco, como “Ojos Verdes” e “Los Piconeros”. O outro inclui as gravações nos estúdios londrinos de Abbey Road, em 1953, do álbum “Fado and Flamenco”, em Nova Iorque, e ainda “algumas gravações realizadas em Paris, na Ducretet & Thomson, de 1958 a 1960”.

O vinil é constituído por uma seleção de Guiñazú, das “mais emblemáticas interpretações de Amália", como por exemplo “Povo que lavas no rio”, de Homem de Melo, na música do Fado Vitória, de Joaquim Campos.


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