Listas de espera na saúde nos Açores voltam a dividir oposição e Governo Regional

Listas de espera na saúde nos Açores voltam a dividir oposição e Governo Regional

 

Lusa/AO Online   Regional   9 de Jul de 2014, 06:35

A oposição no parlamento dos Açores sublinhou hoje que as listas de espera para cirurgia na região continuam a aumentar, mas o Governo Regional contrapôs que se fizeram mais operações em 2013.

A troca de argumentos ocorreu durante um debate no plenário do parlamento, na Horta, em torno de uma proposta do CDS-PP, que visava definir tempos máximos de espera para as cirurgias e, quando ultrapassados em dois terços, os doentes recebiam “um vale saúde” para serem operados em hospitais fora dos Açores.

A proposta foi rejeitada com os votos contra da maioria socialista e do PCP e a abstenção do PSD. Votaram a favor, além do CDS-PP, o BE e o PPM.

O presidente do CDS-Açores, Artur Lima, lamentou o chumbo ao que pretendia ser "mais um contributo" para combater "as vergonhosas" listas de espera na região autónoma, que se poderia juntar a outras medidas que já estão no terreno, adotadas pelo Governo Regional.

O dirigente do CDS-PP, como outros deputados da oposição, sublinhou que as listas continuam a aumentar, não havendo sequer estagnação desde que o atual executivo regional entrou em funções, em novembro de 2012.

No entanto, o secretário regional da Saúde preferiu apontar outro número: o do aumento das cirurgias feitas nas ilhas em 2013.

Segundo Luís Cabral, nesse ano, foram feitas cerca de 18.700 operações, quando em 2012 tinham sido 15.980 e depois de uma descida contínua desde 2009.

O secretário regional reiterou que a aposta do executivo açoriano é rentabilizar os recursos existentes nos hospitais da região, assegurando haver ainda uma margem para melhorar a produtividade dos blocos operatórios e dos profissionais.

Luís Cabral atribuiu, por outro lado, o crescimento das listas de espera a uma melhor referenciação dos doentes por parte do Serviço Regional de Saúde (SRS).

Assegurou ainda que o sistema informático para gerir os registos de doentes em espera nos Açores já deu resultados, tendo sido identificadas, por exemplo, duplicações e pessoas que já não tinham necessidade de uma operação ou que nem sabiam que estavam à esperam de uma cirurgia.

O secretário regional garantiu que, no entanto, não está "contra a aplicação do vale saúde", que existe nos Açores desde 2009, dizendo que continuará a ser aplicado nos moldes atuais e que, em 2014, será destinado a operações oftalmológicas e otorrinolaringologia.

Perante estas explicações, o deputado do PSD Luís Maurício considerou que o secretário regional está “a governar para os números", acrescentando que será inaceitável se aumentarem as listas de cirurgias mais demoradas e dispendiosas, como a colocação de uma prótese.

Também Artur Lima considerou que no debate só ouviu o PS e o Governo Regional falarem em números e ignorarem "o sofrimento das pessoas".

Durante o debate, o secretário regional chamou "pasquim" ao jornal interno do hospital de Ponta Delgada, acabando por se desculpar e reconhecer que tinha "sido infeliz", depois de confrontado pelo PSD com o termo que usou para se referir a uma publicação da responsabilidade da administração de uma unidade de saúde nomeada pelo próprio executivo.

O deputado do PCP, Aníbal Pires, votou contra a proposta do CDS-PP, mas sublinhou que o SRS tem tido uma “gestão de navegação à vista”, ao sabor de ciclos eleitorais ou protestos locais, prometendo para breve iniciativas relacionadas com a sua organização.


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