Líderes ocidentais reagem com cautela ao acordo de Minsk

Líderes ocidentais reagem com cautela ao acordo de Minsk

 

Lusa/AO online   Internacional   12 de Fev de 2015, 13:50

Os líderes ocidentais reagiram com otimismo moderado ao anúncio de um acordo de paz na Ucrânia, anunciado em Minsk entre as potências e as partes envolvidos no conflito e já definido pelos rebeldes pró-russos como uma "grande vitória".

 

Após 16 horas de negociações, os líderes da Alemanha, França, Ucrânia e Rússia chegaram hoje a acordo para impor a partir de domingo um cessar-fogo e criar uma zona desmilitarizada alargada no leste ucraniano.

No entanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, alertou para a permanência de "grandes obstáculos", enquanto o Presidente francês, François Hollande, considerava que o acordo "não garante um sucesso duradouro" e referia que "as próximas horas serão determinantes".

O acordo assinado entre os representantes das forças separatistas e os enviados de Kiev, que segundo Berlim ainda está longe de garantir o regresso da paz à Ucrânia, prevê as medidas que já tinham sido acordadas em Minsk em setembro e que já incluíam um cessar-fogo, a retirada das peças de artilharia ou troca de prisioneiros.

"Agora temos um vislumbre de esperança", disse Merkel na capital da Bielorrússia, acrescentando quer "devem ser garantidas medidas concretas porque ainda existem muitos obstáculos pela frente" para pôr termo a dez meses de conflito.

"Não temos ilusões. Ainda falta muito trabalho", sublinhou.

O chefe da diplomacia de Berlim, Frank-Walter Steinmeier, também optou por não manifestar particular euforia ao considerar que as conclusões de Minsk não significam "um acordo abrangente" ou um "avanço significativo".

Steinmeier reconheceu que "para alguns [o acordo] não será suficiente, e também desejávamos mais (...) mas esperamos que as duas partes tenham negociado com seriedade e boas intenções".

À sua chegada à cimeira europeia de Bruxelas, e proveniente diretamente de Minsk, Hollande preferiu assinalar que o acordo inclui uma "solução política abrangente" e fornece "uma séria esperança, mesmo que não esteja tudo feito".

Hollande frisou ainda a "necessidade de permanecermos vigilantes, exercer pressão e prosseguir o movimento que foi iniciado".

O novo acordo de Minsk surge agora com um maior peso político face às fracassadas conversações de setembro, por ter sido oficialmente apoiado ao mais alto nível pelo Presidente da Rússia Vladimir Putin, o seu homólogo ucraniano Petro Poroshenko, para além de Merkel e Hollande.

No entanto, e formalmente, o líder russo não assinou qualquer documento, enquanto os dois dirigentes europeus e o seu protegido ucraniano se limitaram a fornecer uma "declaração de apoio" ao texto, que foi assinado pelos rebeldes separatistas e os enviados de Kiev, sob o patrocínio da Rússia e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Num primeiro comentário ao desfecho da maratona negocial, o líder separatista pró-russo de Donetsk Alexander Zakharchenko salientou que o desfecho da reunião perspetiva "uma solução pacífica" e reivindicou "uma grande vitória para a República Popular de Donetsk e para a República Popular de Lugansk", numa referência às duas entidades autoproclamadas pelos rebeldes no leste do país, junto à fronteira com a Rússia.

"Temos de dar esta oportunidade à Ucrânia, todo o país vai mudar", considerou por sua vez Igor Plotnitsky, o dirigente rebelde de Lugansk, após ambos terem assinado o acordo.

"Há uma possibilidade de mudança (...) para a Ucrânia mudar de forma civilizada e deixar de matar o seu próprio povo. Pela ação do povo do Donbass [regiões do leste] a Ucrânia vai mudar, em qualquer caso a vitória será nossa", assegurou.

Ao comentar o rescaldo das negociações, Putin reconheceu "não ter sido uma das melhores noites" mas disse que a partir da manhã de hoje existe esperança. "Apesar de toda a complexidade do processo negocial conseguimos concordar em muitos pontos", disse.

Poroshenko admitiu que "o grupo de contacto assinou um documento preparado num ambiente de grande tensão", e posições ainda muito extremadas.

"Não foi nada fácil, de facto colocaram todo o género de condições inaceitáveis: concessões, retiradas", revelou. No entanto, assegurou que a Ucrânia "não cedeu perante o ultimato" e garantiu a sua posição de que "o cessar-fogo deve estabelecer-se sem qualquer tipo de condições prévias".

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