Líderes da UE tentam hoje chegar a acordo sobre nomeações para altos cargos

Líderes da UE tentam hoje chegar a acordo sobre nomeações para altos cargos

 

AO/LUSA   Internacional   30 de Ago de 2014, 10:51

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia vão tentar hoje chegar a acordo sobre a atribuição dos altos cargos europeus ainda em aberto, numa cimeira extraordinária, em Bruxelas, na qual também abordarão a crise ucraniana.

O Conselho Europeu de hoje, que assinala a “rentrée” política ao mais alto nível da UE, e no qual participará o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, tem lugar após a inconclusiva cimeira de final de julho, na qual os 28 não foram capazes de chegar a acordo sobre novas nomeações, designadamente sobre o sucessor da britânica Catherine Ashton como Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros.

Desta feita, e também com o posto do próprio presidente do Conselho Europeu em cima da mesa – dada a saída do belga Herman van Rompuy no final do ano -, os chefes de Estado e de Governo veem-se forçados a chegar a um entendimento, sob pena de novos atrasos nas designações inviabilizarem a entrada em funções atempada da nova Comissão Europeia, liderada pelo luxemburguês Jean-Claude Juncker, que deverá suceder ao executivo de José Manuel Durão Barroso a 01 de novembro próximo.

A questão chave é a nomeação e Alto Representante para a diplomacia europeia, já que esse cargo é desempenhado em paralelo com o de vice-presidente da Comissão Europeia, pelo que Juncker necessita de ter um rosto para o posto para formar e “fechar” o seu executivo, que terá ainda de se sujeitar a audições e votações no Parlamento Europeu antes de poder entrar em funções.

Em julho, os 28 não chegaram a acordo sobre o nome que estava em cima da mesa, o da atual ministra dos Negócios Estrangeiros de Itália, Federica Mogherini, que na cimeira de julho conheceu a oposição de alguns Estados-membros do Leste, que a acusam de ser demasiado “amiga” da Rússia – numa altura em que o conflito entre Moscovo e Kiev, devido à instabilidade no Leste da Ucrânia, domina a política externa, também a nível da UE -, além de lhe ser apontada inexperiência.

No entanto, e segundo fontes diplomáticas, à partida para o Conselho Europeu de sábado Mogherini continua a ser uma possibilidade, e muito forte, para suceder a Ashton, se, por outro lado, for escolhido um político de Leste para presidente do Conselho, e, neste “puzzle” institucional que exige equilíbrios a vários níveis, não só de género, mas também político-partidários e geográficos, o favorito é o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk.

Só em posse de um nome designado para o posto de Alto Representante, Juncker poderá proceder à distribuição de “pastas” entre os comissários já indicados pelas capitais, num processo que ainda se afigura complexo, já que continuam a ser muito poucas as mulheres designadas pelos Estados-membros, tendo o Parlamento Europeu advertido já por diversas vezes que chumbará um executivo com uma representação feminina inferior àquela verificada na “Comissão Barroso” (nove mulheres).

A 01 de agosto, o Governo anunciou que escolheu Carlos Moedas, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, para integrar a “Comissão Juncker”, restando saber que pasta lhe será atribuída.

No encontro de hoje, com início marcado para as 16:00 locais (15:00 de Lisboa), os 28 vão ainda discutir questões de política externa, surgindo à cabeça a crise entre Ucrânia e Rússia, num dia em que o presidente ucraniano Petro Poroshenko se encontra em Bruxelas, tendo previstos encontros, de manhã, com Durão Barroso e com Van Rompuy.

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