Líder independentista dos Açores considera a autonomia uma "farsa constitucional"

Líder independentista dos Açores considera a autonomia uma "farsa constitucional"

 

Lusa/AO Online   Regional   6 de Jun de 2017, 21:41

O líder da Frente de Libertação dos Açores (FLA) considerou hoje que o regime autonómico é uma "farsa constitucional", lamentando que não se tenha tido a capacidade de combater a desertificação das ilhas.

“Criou-se uma autonomia que é uma farsa constitucional, gastou-se o dinheiro que veio da Europa equipando-se os Açores com condições mínimas de sobrevivência, mas não se criaram mecanismos para fixar as populações. Sem pessoas não somos nada”, declarou Rui Medeiros.

O dirigente independentista falava em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, num jantar evocativo do 42.º aniversário da manifestação de 06 de junho de 1975, que juntou cerca de 10 mil pessoas, predominantemente lavradores, que se batiam por diversas revindicações e contra o regime de então de Lisboa.

A concentração acabou por ficar conotada com a defesa da independência dos Açores e com a FLA, cujo fundador e líder histórico, José de Almeida, faleceu a 01 de dezembro de 2014.

O líder da FLA referiu que os Açores estão a “perder população e não existem condições institucionais para inverter esta tendência” no arquipélago.

Rui Medeiros afirmou que a autonomia, “tal como está construída, não está a conseguir libertar os açorianos da vontade imperial de Portugal”, salvaguardando que “uma forma eficaz de controlar é mantendo [os açorianos] pobres”.

“Durante os últimos 40 anos, com a chegada da autonomia, foram introduzidas algumas alterações politicas e administrativas e seria normal que a população aumentasse. Em vez disso, as ilhas de Santa Maria, Flores, Graciosa, São Jorge e Pico perderam população, Faial, Terceira e São Miguel tiveram ligeiras flutuações, verificando-se que em São Miguel os concelhos da Povoação e Nordeste estão a desertificar”, declarou.

Rui Medeiros referiu que os Açores “estão na mesma” e que se não se aumentar a população “não se consegue criar condições para que as pessoas se fixem”, o que significa que a emigração “continua a ser a solução para muitos”.

Rui Medeiros acusou a classe política dos Açores de “nunca mexer no essencial”, limitando-se a “distribuir pelouros pelos amigos” e “receber as visitas com o rabinho a abanar”, com base numa atitude que é “indiciadora de falta de projeto”.

Rui Medeiros considerou ser de “elementar justiça” que se prestasse hoje homenagem às pessoas que estiveram na génese e realização da manifestação de 06 de junho.

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