Líder do CDS-PP reitera críticas a novas regras nos reembolsos na saúde

Líder do CDS-PP reitera críticas a novas regras nos reembolsos na saúde

 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Set de 2014, 14:57

O líder do CDS-PP nos Açores, Artur Lima, reiterou esta terça-feira que a nova portaria de reembolsos de serviços de saúde prestados no privado, que entra em vigor na quarta-feira, é "o maior atentado dos direitos dos doentes" na região.

 

"Haver doentes nos Açores é um incómodo para o senhor secretário [regional da Saúde], portanto, ele decretou que a melhor maneira de poupar na Saúde é impedir que os doentes se tratem e assim ele faz muita poupança", frisou Artur Lima, numa conferência de imprensa à porta do Centro de Saúde de Angra do Heroísmo.

O novo sistema de reembolsos de serviços de saúde prestados no privado, que entra em vigor esta quarta-feira, introduz um limite anual por utente em consultas, tratamentos e análises.

Se o utente recorrer ao privado, terá direito a reembolso da maior parte das análises clínicas uma vez por ano e o mesmo acontece com as consultas de quase todas as especialidades, exceto psicologia, em que são reembolsadas 12 consultas, pediatria (seis), psiquiatria e medicina geral e familiar (quatro).

Para Artur Lima, há limitações ainda mais flagrantes, como a restrição de reembolso a duas sessões de fisioterapia, por ano, para uma pessoa que tenha tido um AVC.

O líder regional centrista acusa o secretário regional da Saúde de aplicar nos Açores uma "medicina para ricos", criticando a promoção do turismo de saúde, quando não há condições para tratar os utentes açorianos.

Para Artur Lima, o novo sistema de reembolsos é uma tentativa do executivo açoriano de "sacar mais dinheiro", através das taxas moderadoras, que desde que foram implementadas já renderam cerca de seis milhões de euros.

"Eu prevejo que se regresse ao tempo de Salazar, onde as pessoas ficavam em casa, com o cobertor por cima da cabeça, sem vontade, sem ânimo e sem dinheiro para se tratar", frisou.

Artur Lima acusou ainda o secretário da Saúde, Luís Cabral, de copiar "o que de pior existe na República" e de perseguir a "privacidade das pessoas".

"Quem quer fazer um reembolso daqui para a frente tem de trazer a sua declaração de IRS para receber o mísero reembolso que o senhor secretário quer dar", salientou, acrescentando que "qualquer dia" os açorianos ainda vão assistir "ao senhor secretário a decretar que para se vir ao centro de saúde e para se ser internado no hospital tem que se permitir o acesso à conta bancária".

O dirigente do CDS-PP considerou que, em vez de restringir o acesso aos reembolsos, o Governo Regional devia atualizar os valores de reembolso de uma tabela que "tem mais de 20 anos" e alertou para a incapacidade de resposta dos serviços públicos.

"O Serviço Regional de Saúde, neste momento, está a rebentar pelas costuras, com falta de recursos humanos na área da fisioterapia, na área das análises, em todas as áreas", sublinhou.

No que diz respeito à fixação de médicos de medicina geral e familiar, por exemplo, Artur Lima defendeu que houve um retrocesso com o fim das bolsas de estudo para jovens açorianos.

"Nós tínhamos uma proposta de bolsas de estudo que estava a funcionar, que deu um grande salto no número de médicos de clínica geral e familiar e que o senhor secretário agora atira para o charco, beneficiando e alterando as regras, para trazer para cá quem quer e mercenários para virem cá trabalhar durante quatro ou cinco anos, em vez de ter jovens que se fixem cá pela vida inteira", acusou.


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