Líder de Hong Kong admite que desigualdade está a alimentar protestos

Líder de Hong Kong admite que desigualdade está a alimentar protestos

 

Lusa / AO online   Internacional   29 de Nov de 2014, 11:32

O chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, admitiu hoje que a frustração dos jovens sobre a falta de "ascensão social" está a alimentar os protestos que reclamam eleições livres.

 

Leung Chun-ying falava durante uma reunião do comité do governo para a pobreza, semanas depois de ter chocado os cidadãos de Hong Kong ao dizer que eleições abertas não eram viáveis porque levaria a que as políticas fossem definidas para agradar aos pobres

Os manifestantes pró-democracia ocupam há mais de dois meses algumas das principais ruas da cidade em protesto contra a decisão de Pequim de selecionar os candidatos a chefe do Governo antes da população poder escolher o seu líder.

Para os manifestantes, a candidatura deveria ser livre e a escolha seria feita pela da população.

Pequim autorizou que a população de Hong Kong escolha por sufrágio universal o seu líder que, no entanto, será alvo de uma pré-seleção por um comité eleitoral onde tem a maioria e que é composto por 1.200 membros de elites de diferentes setores de atividade.

"Uma das razões por trás do descontentamento da nova geração em Hong Kong que levou ao movimento 'Occupy' é a falta de ascenção social, e como Governo responsável, nós não queremos deixar nenhuma pedra sobre pedra", disse Leung Chun-ying.

O responsável acrescentou que a comissão governamental para a pobreza irá analisar a forma como pode ajudar os jovens a "aliviar as suas queixas" e, assim, "atenuar uma parte das reivindicações dos jovens nas ruas".

Os protestos entre manifestantes pró-democracia e a polícia em Hong Kong voltaram a registar-se, esta madrugada, nas ruas do densamente povoado bairro de Mong Kok, causando dez feridos e 28 detidos, após quatro noites de tensão no bairro de Mong Kok, segundo informou a imprensa local.

Centenas de manifestantes tentaram tomar as ruas da zona, acabando por envolver-se em novos confrontos com a polícia.

Uma operação policial, iniciada na terça-feira, que durou 48 horas, acabou com um dos acampamentos do movimento que ocupa ruas da cidade há dois meses.

Os agentes fizeram novamente uso de gás pimenta, recorrendo ainda aos bastões e escudos para tentar travar a investida dos manifestantes.

Por volta da 24:00 (17:00 de sexta-feira em Lisboa), centenas de cidadãos começaram a reunir-se no cruzamento entre as ruas Arglye e Nathan, onde desde 28 de setembro e até à passada quarta-feira, estavam montados acampamentos.

Gritando “queremos sufrágio universal genuíno”, os manifestantes tentar parar o trânsito, utilizando caixotes do lixo, enquanto lançavam ovos e garrafas de água contra a polícia, segundo os ‘media’ locais.

A situação tornou-se caótica, segundo testemunhas, e a polícia voltou a carregar sobre os estudantes.

Como resultado, foram efetuadas 28 detenções e uma dezena de pessoas ficaram feridas, de acordo com a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK).

Cerca de 200 pessoas foram detidas, incluindo dois líderes estudantis, e mais de meia centena ficaram feridas desde o arranque da operação de despejo de Mong Kok.


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