Lesados do Banif nos Açores juntam-se a associação nacional para defender interesses

Lesados do Banif nos Açores juntam-se a associação nacional para defender interesses

 

LUSA/AOnline   Regional   20 de Fev de 2016, 11:01

Clientes do antigo Banif nos Açores decidiram hoje integrar a associação nacional que vai defender os interesses dos lesados daquele banco.

"O que decidimos foi não fazer uma associação só nos Açores, mas fazer uma delegação para ser integrada na associação nacional", afirmou aos jornalistas o porta-voz da reunião, que juntou cerca de 60 lesados do ex-Banif em Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel.

Carlos Presunça adiantou que a associação deverá ter sede no Funchal, Madeira, a sede do Banif, e uma das primeiras ações a programar é uma "grande manifestação" junto à Assembleia da República, em Lisboa.

"Para que toda a gente veja que nós, Banif, acionistas, obrigacionistas, somos lesados e fomos lesados de uma maneira que não há explicação para aquilo que aconteceu", considerou, garantindo que os lesados irão lutar por tudo a que têm direito.

Confrontado com as declarações do presidente do banco Santander Totta que esta semana disse que está a ser estudada a situação dos clientes do ex-Banif que subscreveram obrigações subordinadas, que totalizam 3.500 em todo o país com valores de 263 milhões de euros, Carlos Presunça expressou o desejo que "as palavras do sr. presidente sejam realmente o sentimento que corra por parte de toda a instituição financeira Santander".

"Não nos fecha a porta, diz que está a estudar, quando se está a estudar é porque já há qualquer coisa na manga", adiantou Carlos Presunça, um dos delegados da associação nos Açores.

Na quarta-feira, após uma audiência com o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada, o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, disse que o banco não tem nenhuma obrigação relativamente às obrigações subordinadas.

"O banco é responsável, sim, pelos depósitos, pelas obrigações seniores e pelas obrigações hipotecárias", mas "não quer dizer, tendo em atenção esta realidade, que para defesa da sua franquia comercial, o banco não esteja a estudar e a ver alguma coisa sobre essa matéria", declarou António Vieira Monteiro, alertando, contudo, que "os problemas que possam vir a ser resolvidos e a maneira como vão ser resolvidos não quer dizer que seja alguma vez de cem por cento".

A este propósito, Carlos Presunça sustentou que esta "é uma questão que se terá que falar quando as negociações começarem a ser feitas, se houver negociações feitas diretamente com a associação de lesados" que vai representar todos os lesados, independentemente dos produtos subscritos.

A 20 de dezembro, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante.

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado no total de 746 milhões de euros.

O Banif (em processo de reestruturação desde 2012) era o sétimo maior grupo bancário português e líder de mercado nos Açores e na Madeira.


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