Lesados do Banif nos Açores acreditam que Governo vai encontrar solução em 2017

Lesados do Banif nos Açores acreditam que Governo vai encontrar solução em 2017

 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Dez de 2016, 19:30

Elementos da delegação dos Açores da Associação dos Lesados do Banif manifestaram hoje a expectativa que o Governo da República encontre uma solução em 2017, agora que está resolvido o caso do Banco Espírito Santo (BES).

“A minha expectativa era que a solução fosse resolvida até ao fim do ano, mas é impossível não é? Vamos a ver se em 2017. Acho que sim, que há todas as condições para se resolver. Tem de se resolver”, afirmou Carlos Presença à agência Lusa, acrescentando que sempre achou que “enquanto o caso BES não fosse resolvido, ninguém iria resolver o caso Banif”.

Um grupo de açorianos lesados do Banif reuniu-se hoje numa missa na Igreja Matriz, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, para prestar homenagem a três lesados entretanto falecidos, tendo depois colocado velas à porta da antiga sede do banco na maior cidade açoriana.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif – Banco Internacional do Funchal, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.

Em fevereiro, o presidente da Comissão Executiva do Santander Totta disse, nos Açores, após uma audiência com o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, que estava a ser estudada a situação dos clientes do ex-Banif subscritores de obrigações subordinadas, que totalizam 3.500 em todo o país com valores de 263 milhões de euros.

Carlos Presunça, que indicou que nos Açores há cerca de 1.000 lesados, destacou as diferenças existentes entre BES e Banif, alegando que esta última instituição bancária estava intervencionada pelo Estado, que tinha o capital maioritário, enquanto o BES pertencia a uma família.

“Cada vez mais por aquilo que tem saído na comunicação social foi, mais ou menos, um arranjinho que se fez para entregar o bolo-rei [Banif] aos espanhóis”, referiu Carlos Presunça, que diariamente fala com vários lesados e ouve histórias de desespero.

O Governo da República apresentou na segunda-feira o mecanismo que permitirá minorar as perdas dos cerca de 4.000 clientes do BES que compraram papel comercial do GES, que foi à falência, e cujo reembolso nunca receberam.

Para o presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, a solução encontrada pelo executivo nacional para os lesados do BES é motivo de "satisfação", mas alertou que "também se espera naturalmente uma solução para os lesados do Banif".

Carlos Presunça reconheceu que o chefe do executivo açoriano tem-se mostrado muito interessado em ajudar a resolver esta situação “o mais rápido possível”, o que ainda não aconteceu.

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