Lavoura de São Miguel vai receber menos cerca de 8 ME devido à baixa do preço do leite

Lavoura de São Miguel vai receber menos cerca de 8 ME devido à baixa do preço do leite

 

AOnline/LUSA   Regional   20 de Mar de 2015, 20:34

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM) declarou hoje que a produção vai receber menos cerca de oito milhões de euros em 2016 devido à baixa do preço do leite imposta pelo grupo Bel.

"Estão em causa mais de 10 milhões de litros de leite. O decréscimo do que já baixaram (o grupo Bel Fromageries) este ano, vai gerar no próximo ano, nas contas finais, menos sete a oito milhões nos cofres da lavoura", declarou Jorge Rita.

O líder dos lavradores falava à comunicação social, à margem de um encontro com Eduardo Vasconcelos, do grupo Bel, em Ponta Delgada, sob a mediação do secretário regional da Agricultura, Luís Neto Viveiros, que não gerou consenso.

De acordo com Jorge Rita, o grupo Bel Fromageries desceu o preço do leite pago ao produtor em dois cêntimos, em novembro, mais dois cêntimos em março e vai descer mais um cêntimo a partir de abril, para além de impor limites de produção.

"Nós aconselhamos os produtores que não assinem nenhum aditamento (aos contratos), ao contrário do que já foi feito. Vamos aguardar para ver a situação. A expetativa que nós temos é de que haja bom senso da Bel", declarou o dirigente agrícola.

O líder dos lavradores desafiou a indústria a transformar a qualidade do leite açoriano em produtos de valor acrescentado, sublinhado que existe mecanismos a que se pode recorrer, como a secagem da matéria-prima, para fazer face ao excedente de produção.

"Achamos estranha esta decisão, unilateral, de quem produzir mais do que os melhores meses dos últimos dois anos ser penalizado de abril a junho. Não faz qualquer sentido, até porque a liberalização das quotas já termina a 1 de abril".

Jorge Rita recordou que o grupo Bel celebrou contratos com os seus produtores que contemplam a possibilidade de um aumento de produção 20 por cento acima da produção anterior dos lavradores.

O dirigente agrícola declarou que os produtores receberam do grupo Bel uma primeira carta em que se referia que só seriam penalizados no montante que produzissem a mais, enquanto uma segunda carta aponta que é penalizado o produtor em toda a sua produção, no valor de um cêntimo.

Jorge Rita destacou ainda que, para além da baixa no preço do leite, no próximo ano os produtores serão também penalizados no prémio dos produtos lácteos devido à limitação da produção por parte do grupo Bel, havendo ainda menos apoios ao setor porque se terá de abater animais.

O dirigente do grupo Bel Eduardo Vasconcelos explicou que se está a atravessar uma fase "com muito excedente de leite" que impossibilita "acomodá-lo em produtos de mais-valia como queijo e o leite UHT".

O dirigente referiu que o leite excedentário tem de ser encaminhado para o leite em pó, que está com preços mínimos, o que se traduz num "prejuízo muito elevado".

"Nós, nos últimos sete/oito anos tínhamos mais ou menos a mesma quantidade de leite. Claro que é preciso que os produtores cresçam. A Bel não está contra isso. A própria indústria também tem que crescer para ser mais rentável. Agora, tem que se perceber que o aumento rápido da quantidade produzida obrigou a uma descida de preço", declarou.

Eduardo Vasconcelos frisou que foi isso que o que "se passou e se passa na Europa e no continente, e nós não vivemos isolados do mundo".

O responsável do grupo Bel, que possui 146 milhões de litros de leite de quota na ilha de São Miguel (35%) e cerca de 550 lavradores (37%), disse ainda que a indústria da Bel em São Miguel fechou 2014 com 200 mil euros de prejuízo e admite mais baixas do preço do leite em função da evolução dos mercados.

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