Kremlin nega que Trump e Putin tenham combinado criar unidade de cibersegurança


 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   10 de Jul de 2017, 16:31

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, não combinaram criar uma unidade conjunta sobre cibersegurança na reunião que mantiveram à margem da Cimeira do G20, declarou hoje o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

“Ninguém prometeu nada, apenas foi constatada a disposição para trabalhar nesse sentido”, disse Peskov.

Esta declaração surge depois de alguma incerteza – e polémica – em torno do que foi combinado pelos dois presidentes em matéria de cibersegurança.

Trump disse inicialmente ter discutido com Putin a criação de “uma unidade impenetrável de segurança cibernética”, mas, horas depois, afirmou que a cooperação russo-norte-americana em cibersegurança não é possível.

As suspeitas de interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, sob investigação pelo FBI e pelo Senado, baseiam-se precisamente em indícios da entrada de ‘hackers’ (piratas informáticos) russos nos computadores do Partido Democrata.

Por essa razão, o ‘tweet’ de Donald Trump anunciando a disposição para criar, com a Rússia, uma “unidade de cibersegurança”, foi recebido com críticas nos Estados Unidos.

“Não é a ideia mais estúpida que já ouvi, mas anda lá perto”, comentou o senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, no programa “Meet the Press” da televisão NBC.

O congressista democrata Adam Schiff, da Califórnia, disse ao programa “State of the Union” da CNN que seria “perigosamente ingénuo” esperar que a Rússia seja um parceiro credível em qualquer iniciativa de cibersegurança.

O presidente norte-americano voltou a ‘twittar’ sobre o assunto, no domingo à noite, tendo escrito que só por ter abordado a ideia com Putin “não quer dizer que possa acontecer”. “Não pode”, escreveu.

Outro senador republicano, Marc Rubio, da Florida, escreveu no Twitter que associar-se a Putin numa “unidade de cibersegurança” equivale a associar-se ao presidente sírio, Bashar al-Assad, numa “unidade de armas químicas”.

A ideia foi defendida pela embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, que assegurou que trabalhar com a Rússia “não significa confiar na Rússia”.

“Nós não confiamos na Rússia e nunca vamos confiar. Mas devemos manter perto de nós aqueles em quem não confiamos, para podermos sempre estar a par do que fazem”, disse a embaixadora ao programa “State of the Union”, da CNN, citada pela agência Associated Press.

Após a reunião bilateral que manteve com Putin na sexta-feira, à margem da Cimeira do G20 em Hamburgo, Donald Trump afirmou que “está na altura de avançar e trabalhar construtivamente com a Rússia”.

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