Justiça francesa autoriza desmantelamento do campo de migrantes em Calais

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A justiça francesa autorizou o desmantelamento do vasto campo de migrantes em Calais (norte), e a operação "é agora uma questão de dias", anunciou o governo francês.
 

O campo situado frente às costas inglesas, que alberga entre 5.700 e 10.000 migrantes segundo diversas fontes, incluindo menores isolados, foi formado na primavera de 2015 em plena crise migratória na Europa. As autoridades já desmantelaram uma parte em março, sob alta proteção policial.

O tribunal administrativo de Lille (norte) validou hoje o desmantelamento rápido da “Selva”, como o campo é conhecido, rejeitando as críticas de 11 associações, que entre outras queixas se referiam à falta de intérpretes e deficiente acompanhamento dos migrantes.

As associações exigem ainda um “diagnóstico mais preciso das necessidades, dos riscos de evacuação”, e algumas prognosticavam “uma catástrofe” em caso de desmantelamento “nas atuais condições”.

Pelo contrário, a justiça considerou que “o próprio princípio” do desmantelamento não contradiz o “princípio de proibição dos tratamentos inumanos e degradantes”. Na sua perspetiva, o desmantelamento visa precisamente a “terminar” com semelhantes tratamentos submetidos aos migrantes, que vivem “em condições de precaridade e insegurança denunciados por todos”.

Numa referência aos centros de acolhimento em diversas cidades do país que devem acolher os migrantes vindos de Calais, o tribunal considerou que o Estado “não subestimou o número de migrantes que devem ser aí recebidos”. Segundo as autoridades, já foram registados mais de 7.000 lugares.

Com a via judicial livre a partir de hoje, o desmantelamento “é agora uma questão de dias”, anunciou hoje o ministro socialista francês do Interior, Bernard Cazeneuve, que prometeu abrigar os migrantes abrangidos pela medida “em condições dignas”.