Juíza da Audiência Nacional espanhola decreta prisão para oito ex-ministros regionais por risco de fuga


 

Lusa/AO online   Internacional   2 de Nov de 2017, 19:15

A juíza da Audiência Nacional espanhola que está a julgar o processo catalão decretou hoje, em Madrid, a prisão incondicional para oito ex-ministros regionais, entre eles o vice-presidente Carles Puigdemont.

A juíza estipulou ainda uma fiança de 50.000 euros para um outro esperar pelo julgamento em liberdade.

O tribunal considera que há risco de fuga ao julgamento destes oito membros do executivo regional (Generalitat) destituídos, que foram ouvidos hoje de manhã por suspeitas de delito de rebelião, sedição e desvio de fundos e arriscam penas de prisão até 30 anos.

Os restantes cinco membros da Generalitat, entre eles o presidente destituído, Carles Puigdemont, faltaram à audição por estarem ausentes no estrangeiro.

O Ministério Público acusa 14 antigos membros do executivo catalão, entre os quais Puigdemont, e seis deputados regionais, incluindo a presidente do parlamento, Carme Forcadell, de delitos de rebelião, sedição e desvio de fundos, na organização de um processo que deveria levar a Catalunha à independência.

O Supremo Tribunal espanhol decidiu esta manhã colocar os seis deputados regionais, entre eles Carme Forcadell, em vigilância policial até daqui a uma semana, 09 de novembro, quando voltarem a ser ouvidos pelo tribunal.

Por outro lado, num outro tribunal, a Audiência Nacional, a juiz acedeu ao pedido do procurador no sentido de colocar em prisão incondicional oito dos membros do Governo catalão que se apresentaram para ser ouvidos.

O ministro regional Santi Vila, que se tinha demitido do cargo na véspera de, na passada sexta-feira, a Generalitat ter sido afastada por decisão do Governo espanhol de Mariano Rajoy, também é detido, mas tem a medida de coação que lhe dá a possibilidade de pagar 50.000 euros e esperar o julgamento em liberdade.

O Ministério Público pediu ainda que seja emitido um mandado europeu de detenção contra o ex-presidente da Generalitat e mais quatro membros do Governo catalão, destituídos, que não compareceram no tribunal.

Dos 14 membros do executivo regional (Generalitat), apenas se apresentaram na Audiência Nacional esta manhã nove, tendo faltado cinco deles, entre eles o presidente do Governo, Carles Puigdemont.

O presidente demitido do Governo catalão viajou no início da semana para a Bélgica e afirma que só regressará a Espanha quanto tiver "garantias imediatas de um tratamento justo, com separação de poderes", o que considera não ser o caso.

O parlamento regional da Catalunha aprovou na passada sexta-feira a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupava.

O executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou no mesmo dia a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.



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