Judeus na Europa temem novo êxodo perante vaga de antissemitismo e extremismo


 

Lusa/AO online   Internacional   26 de Jan de 2015, 17:31

Os judeus na Europa enfrentam atualmente o perigo de um "novo êxodo" devido ao recente aumento do antissemitismo e do extremismo, declarou em Praga o presidente do Congresso judeu europeu (CJE), Moshe Kantor.

 

“A comunidade judaica da Europa está muito próxima de um novo êxodo”, advertiu o representante na abertura do 4.º fórum "Let My People Live", organizado por ocasião do 70.º aniversário da libertação do complexo nazi Auschwitz-Birkenau e do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalado terça-feira.

O representante sublinhou que o 'jihadismo' “é muito próximo do nazismo”, afirmando que “são duas faces do mesmo mal”.

“Os judeus estão assustados com a pressão económica, como é o caso na Grécia ou na Hungria, e pelo islamismo radical”, reforçou Moshe Kantor, apelando para uma solução “institucional” que inclua “mudanças radicais” na legislação.

Na mesma intervenção, o presidente do Congresso judeu europeu recordou os atentados contra judeus em Toulouse (sul de França) em 2012 e o Museu judeu de Bruxelas em 2014, bem como os ataques ocorridos no início de janeiro contra o semanário satírico francês Charlie Hebdo e um supermercado judeu nos arredores de Paris.

Face a estes ataques, o representante reclamou a criação na Europa de um organismo de segurança, similar ao Departamento de Segurança Interna criado nos Estados Unidos após os atentados do 11 de setembro de 2001.

A Europa também precisa, defendeu ainda Moshe Kantor, de um negociador especial responsável pela luta contra o antissemitismo.

“A minoria judaica, que é a mais antiga da Europa, é atualmente a única a estar exposta ao perigo de morte ou de expulsão”, concluiu.

Os chefes de Estado búlgaro e eslovaco, Rossen Plevneliev e Andrej Kiska, respetivamente, bem como cerca de 30 presidentes ou vice-presidentes dos Parlamentos de países europeus, estão em Praga a participar neste fórum promovido pelo CJE, pelo Parlamento Europeu e pelo Presidente da República Checa, Milos Zeman.

Uma cerimónia religiosa será celebrada na terça-feira no local do antigo campo nazi de Terezin (Theresienstadt), a norte de Praga, que era utilizado pelos nazis como uma zona de trânsito para os judeus que eram posteriormente transportados para Auschwitz e para outros campos de concentração e de extermínio.

Entre 1941 e 1945, mais de 150 mil judeus passaram por Terezin, uma enorme fortaleza, isolada por fossos de grande profundidade.

Cerca de 34 mil pessoas morreram em Terezin, enquanto outras 87 mil foram transportadas para o complexo Auschwitz-Birkenau.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.