Jovens usam mais telemóvel mas estão menos preocupados com efeito de radiações

Jovens usam mais telemóvel mas estão menos preocupados com efeito de radiações

 

Lusa/Açoriano Oriental   Nacional   12 de Jun de 2017, 17:05

Os jovens usam cada vez mais o telemóvel, mas revelam estar menos preocupados com os possíveis efeitos da exposição às radiações, mostra o estudo FAQtos - Informação sobre Radiação Eletromagnética em Comunicações Móveis.

 

Desenvolvido no INOV-INESC/ Instituto Superior Técnico (IST), com data de 30 de janeiro, o estudo indica uma diminuição na preocupação com os possíveis efeitos da exposição às radiações eletromagnéticas, sobretudo nos dois últimos anos, sendo que 45% dos inquiridos mostraram não estar preocupados com o assunto e que a percentagem de jovens que não tem opinião formada sobre o tema também aumentou.

Da autoria de Ema Catarré e Luís M. Correia, mostra os resultados dos 8.595 inquéritos, realizados a estudantes de 130 estabelecimentos de ensino secundário, nos últimos cinco anos letivos, de 2010/11 a 2015/16, relacionando os dados mais recentes com os dados dos períodos anteriores quanto à utilização de telemóveis e às questões das radiações.

No entanto, o relatório analisa que aqueles que já têm prévio conhecimento do FAQtos apresentam um nível de preocupação superior, se bem que reconhece que durante o período mais recente "os valores inverteram-se, pois o nível de preocupação foi menor para quem conhece o FAQtos".

"Cerca de 37% preocupam-se, o que contrasta com os apenas 17% que indicaram já ter procurado informação sobre o tema", revela o estudo, neste acaso analisando o ano letivo 2015/16 e salvaguardando que estes dados têm de ser analisados "com algum cuidado", "pois dos 775 inquiridos" naquele ano letivo, "apenas 37 conheciam o projeto".

Questionados sobre se já alteraram hábitos de utilização do telemóvel por terem ouvido falar sobre possíveis efeitos das radiações, uma percentagem significativa - cerca de 24% - disse já o ter feito.

"Quando comparado com a percentagem de jovens que se dizem preocupados com os possíveis efeitos da radiação (cerca de 37%), o valor é bastante inferior. De qualquer forma, é uma amostra significativa, que indica que estes receios têm alguma influência na utilização que os jovens fazem dos telemóveis", lê-se no relatório.

Já sobre se tomam alguma medida de proteção quando usam o telemóvel, apenas um número reduzido de jovens (12%) indicou que adota medidas e existe uma percentagem considerável de respostas - cerca de 28% - que mostra não saber que medidas tomar para evitar as radiações.

Afastar o telemóvel do corpo ou mesmo desligá-lo são as medidas de proteção mais adotadas, mas "medidas de proteção à partida mais eficazes, como utilização do auricular, tiveram menos respostas", diz o documento.

"De salientar a grande diferença registada entre o número de pessoas que indica utilizar o auricular como proteção (9 respostas) e o número de pessoas que indicou utilizar o auricular para telefonar (75 respostas). Isto mostra que a utilização do auricular é feita acima de tudo por comodidade e não por receio dos possíveis efeitos das radiações", conclui.

Os autores do estudo falam mesmo numa utilização do telemóvel "quase ubíqua" entre os jovens, destacando que apenas 0,4% dos inquiridos indicou não usar telemóvel e que mais de 15% tem mais de um equipamento.

Os serviços mais utilizados são a Voz, SMS (mensagem escrita) e Aceder à Internet/Redes Sociais, com uma elevada percentagem de utilização do auricular (58% no total dos cinco anos) maioritariamente para ouvir música/rádio.

Neste último ano letivo, acrescenta o estudo, a utilização de Internet no telemóvel aumentou (mais de 89% em 2014/15, comparando com 35% em 2010/11), com mais de 48% dos inquiridos a indicar que o principal serviço utilizado é o acesso à Internet e às redes sociais (mais de 87% têm tarifário que inclui pacote de dados).

Os jovens que responderam aos inquéritos frequentam o ensino secundário, tendo idades compreendidas entre os 15 e 18 anos, sendo que a maioria tem telemóvel desde os 10 anos, tipicamente a idade com que se entra no 2.º ciclo do ensino básico.

Verificou-se que a utilização aumenta à medida que crece o número de telemóveis ou a idade dos jovens, sendo que a utilização é maior para os jovens que tiveram o seu primeiro telemóvel mais cedo.

Por sua vez, as raparigas passam mais tempo ao telemóvel, fazendo chamadas cerca de 20% mais longas, enquanto os rapazes fazem mais chamadas e enviam mais mensagens escritas, através de SMS.

As atividades do FAQtos incluem a realização de palestras/sessões de informação em estabelecimentos de ensino por todo o país.

No âmbito destas palestras, no ano letivo 2015/16 foram distribuídos inquéritos aos alunos presentes naquelas ações. Foram distribuídos 775 inquéritos para alunos de 14 estabelecimentos de ensino nacionais, sendo que estes foram tendencialmente preenchidos antes da realização da apresentação para não influenciar os seus resultados.

Foram também realizados inquéritos no âmbito das visitas escolares realizadas ao Departamento de Engenharia Eletrotécnica (DEEC) do IST, mesmo naquelas que não incluíam apresentação do FAQtos.

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