Jovens com deficiência protagonizam segunda-feira na Casa da Música "Sem DÓ nem piedade"


 

Lusa/AO Online   Nacional   20 de Fev de 2015, 17:45

Mais de sete dezenas de jovens adultos do Centro Integrado de Apoio à Deficiência sobem segunda-feira ao palco da Casa da Música, no Porto, com o "Sem DÓ nem piedade", um espetáculo que pretende desafiar a comunidade a "refletir".

 

A peça, "uma espécie de alegoria", retrata narrativas de vidas reais, resultando de "um delírio coletivo" do Centro Integrado de Apoio à Deficiência, equipamento da Santa Casa de Misericórdia do Porto (SCMP).

Os protagonistas, jovens adultos com multideficiência, frequentam fundamentalmente o centro de atividades ocupacionais, mas também o lar residencial, bem como turmas de formação profissional, respostas ou valências onde a abordagem à integração ou à comunicação já passa pelas artes.

Mas, com o apoio do Serviço Educativo da Casa da Música, os utentes e responsáveis desta instituição dilataram a escala de uma reflexão que já é feita internamente, como referiu à Lusa o diretor do centro, João Belchior, convidando a comunidade do Porto a refletir "mais sobre as funcionalidades, do que sobre as incapacidades do universo da deficiência".

"Está na hora de começarmos a falar de uma outra forma, de termos um discurso mais aberto sobre as deficiências e incapacidades. E estava na hora de nos apresentarmos à cidade e de lhe devolvermos algumas das reflexões que temos vindo a fazer ao longo dos anos, sempre com a tónica na positividade", referiu João Belchior.

"Sem DÓ nem piedade" quer, portanto, que não se reflita tanto no défice, no que não é possível a uma pessoa com deficiência fazer, mas sim nas perspetivas "altamente funcionais" e nos "contributos interessantes" que podem dar à sociedade.

"A SCMP tem apostado em derrubar barreiras psicológicas que existem à volta da área da deficiência. Ao levar para um palco como o da Casa da Música, queremos dizer que aquelas pessoas que têm as suas dificuldades são pessoas perfeitamente integradas no nosso quotidiano", acrescentou o provedor da instituição, António Tavares.

Num espetáculo de sessão única, agendado para as 19:00 de segunda-feira, na Sala Suggia, as histórias de vida dos utentes do Centro Integrado de Apoio à Deficiência que foram transformadas numa narrativa universal, lê-se na sinopse da peça, vão "gritar" através da música e das artes performativas.

O espetáculo tem direção artística e musical de Óscar Rodrigues, Tiago Oliveira, Joana Leite e Miguel Leitão, música por Bruno Estima e Paulo Neto e encenação de Paulo Mota. Conta, ainda, com a Orquestra Comunitária de Lordelo do Ouro como convidada.

Na convicção de que "ter deficiência" pode estar em sintonia com "a integração plena", como apontou António Tavares - que aspira assistir a estas iniciativas como "normais e não como excecionais" - a SCMP financia o projeto, cuja receita de bilheteira serve para que o centro continue a apostar em atividades que usem artes como "ponte" para trabalhar "o relacionamento e a aproximação ao outro", como resumiu João Belchior.

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