José Sócrates pouco incomodado com acção de protesto de deputados "contra a Europa"


 

Lusa/Ao online   Nacional   12 de Dez de 2007, 11:16

O presidente em exercício do Conselho da UE mostrou-se pouco incomodado com a acção de protesto de hoje no Parlamento Europeu, em Estrabsurgo, afirmando que os eurodeputados que nela participaram "são contra a Europa".
Numa acção organizada pelo Grupo de Esquerda Unitária, vários deputados interromperam hoje a cerimónia de proclamação da Carta de Direitos Fundamentais dos cidadãos europeus, pelos presidentes das instituições europeias, vaiando José Sócrates, exibindo faixas e gritando palavras de ordem a exigir a realização de referendos ao Tratado de Lisboa.

    À saída do hemiciclo, Sócrates garantiu que se sentiu "muito bem" com "o grande apoio no Parlamento Europeu", referindo-se ao facto de a maioria da assembleia ter respondido com aplausos de pé aos apupos e palavras de ordem, e negou que a cerimónia tenha ficado manchada pela acção de protesto.

    "Manchada? Não, não, pelo contrário. A Europa é justamente assim. A Europa é uma Europa tolerante mesmo para aqueles que não têm boas maneiras ou que não as usam", declarou a jornalistas portugueses.

    "Gosto destes momentos parlamentares e sei bem o que os motiva: verdadeiramente aqueles deputados todos são contra a Europa", completou.

    Deputados do Grupo de Esquerda Unitária - que inclui as delegações do PCP e Bloco de Esquerda - interromperam hoje a sessão plenária, antes e durante a intervenção do primeiro-ministro português, para exigir a realização de referendos aos Tratado de Lisboa.

    A acção de protesto, que se prolongou por alguns minutos, teve lugar durante a cerimónia de proclamação solene da Carta dos Direitos Fundamentais dos cidadãos europeus, pelos presidentes das instituições europeias, José Sócrates (Conselho), José Manuel Durão Barroso (Comissão Europeia) e Hans-Gert Poettering (Parlamento Europeu).

    No momento em que Sócrates se preparava para intervir, eurodeputados daquele grupo político - aos quais juntaram alguns de outras bancadas - vaiaram o presidente em exercício do Conselho, mostraram faixas a exigir a realização de consultas populares e os seus gritos de "referendo, referendo" adiaram o início do discurso do primeiro-ministro português e depois interromperam-no, apesar das intervenções de Poettering.

    Em resposta ao protesto do Grupo de Esquerda Unitária, os eurodeputados das restantes famílias políticas aplaudiram de pé José Sócrates, que durante a intervenção afirmou que "por mais que muitos gritem, impedindo os outros de falar, esta é uma data fundamental da história europeia".

    O protesto, realizado na véspera da assinatura do novo Tratado, em Lisboa, foi justificado pelo Grupo de Esquerda Unitária pela necessidade de "tornar claro" a Durão Barroso e Sócrates "que não podem ignorar as opiniões dos cidadãos europeus na questão do futuro da Europa".

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