Jornalista moldava impedida de entrar na Rússia por críticas ao Kremlin


 

Lusa / Ao online   Internacional   16 de Dez de 2007, 11:20

A jornalista moldava Natália Morare da revista russa The New Times foi hoje impedida de entrar na Rússia e expulsa do país, decisão que atribuiu a um artigo sobre o financiamento da campanha eleitoral pelo Kremlin.
    A jornalista, cidadã da Moldávia, foi detida num dos aeroportos de Moscovo, o Domodedovo, quando regressava de uma viagem de trabalho com outros jornalistas de Israel.

    "Foi-me literalmente dito isto: 'foi proibida a sua entrada no território da Federação da Rússia'. Quando perguntei por quem, disseram-me que tinham recebido uma ordem da direcção central do Serviço Federal de Segurança (ex-KGB)", declarou Natália Morare à rádio Eco de Moscovo.

    Segundo a jornalista, um funcionário do serviço de fronteiras ter-lhe-á dito que "a proibição de entrada na Rússia pode vigorar de três a cinco anos".

    Os funcionários do serviço de fronteiras propuseram à jornalista ou regressar a Israel ou voar para a Moldávia.

    "Não me deram qualquer justificação. Nenhum deles se identificou. Responderam-me que posso receber todas as explicações na Embaixada da Moldávia da Federação da Rússia", acrescentou.

    Natália Morare frisou que tinha todos os documentos em ordem e que vivia e trabalhava na Rússia legalmente, sublinhando que esta decisão dos serviços secretos russos se deveu a um dos seus artigos publicados na revista semanal The New Times.

    "Penso que a causa principal foi o último artigo publicado por mim e que tinha por título 'Caixa Secreta do Kremlin'. Aí, eu descrevi pormenorizadamente como a Administração Presidencial (da Rússia) financiou a última campanha eleitoral", afirmou.

    Na edição da revista de 10 de Dezembro, Natália Morare escreveu que o Kremlin financiou ilegalmente as forças políticas controladas pela administração do presidente Vladimir Putin nas eleições legislativas de 02 de Dezembro, e castigou os desobedientes.

    Por exemplo, segundo o artigo, o Kremlin prometera à União das Forças Liberais 150 milhões de dólares (103 milhões de euros) para financiar a campanha eleitoral deste partido liberal (cerca de um por cento de votos nas eleições), que acabou por nada receber por ter criticado a política do Presidente Putin e do seu partido Rússia Unida.
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