Jornal francês Charlie Hebdo manteve-se fiel à sátira apesar de ataques

Jornal francês Charlie Hebdo manteve-se fiel à sátira apesar de ataques

 

Lusa/AO online   Internacional   7 de Jan de 2015, 14:14

Apesar do historial de agressões, incluindo um incêndio e ataques informáticos, ao longo de 22 anos de existência, o jornal francês 'Charlie Hebdo', que esta terça-feira foi alvo de um ataque que fez 12 mortos, manteve-se fiel à sátira.

 

Conhecido por publicar caricaturas do profeta Maomé – cuja reprodução é considerada uma blasfémia pelo islão –, o semanário segue uma linha editorial ousada e irreverente.

Criado em 1992, pelo escritor e jornalista François Cavanna, que morreu a 29 de janeiro de 2014, com 90 anos de idade, era atualmente liderado pelo jornalista e cartoonista Charb, já confirmado como uma das vítimas mortais do ataque de hoje.

Charb manteve a linha editorial definida pelo seu antecessor, defendendo vigorosamente o direito dos cartoonistas e jornalistas a satirizarem sobre qualquer assunto.

São várias as capas do jornal que suscitaram a ira de muçulmanos mais fundamentalistas, entre as quais desenhos do profeta Maomé nu e numa cadeira de rodas, a ser conduzido por um rabino judaico.

O ataque mais grave, até hoje, contra o 'Charlie Hebdo' aconteceu no início de novembro de 2011, quando a redação foi alvo de fogo posto, após uma edição sobre a vitória do partido islamita Ennahda, na Tunísia, na qual o profeta Maomé era o “redator principal”.

Apesar disso, o jornal manteve a linha editorial e regressou às bancas com uma capa em que um muçulmano e um cartoonista se fundiam num beijo homossexual, com a legenda: “O amor é mais forte do que o ódio”.

No dia 3 de janeiro de 2013, a página do jornal na internet foi atacada por piratas informáticos, provavelmente devido à publicação, no dia anterior, de um suplemento especial que incluía uma biografia de Maomé em banda desenhada.

O jornal gerou polémica também por reproduzir as vinhetas originalmente publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em setembro de 2005, que reproduziam Maomé vestido com um turbante-bomba com uma chama acesa, o que foi criticado em vários países muçulmanos.

As edições do 'Charlie Hebdo' sempre geraram um debate intenso em França, país com a maior comunidade muçulmana da Europa, sobre a relação entre a liberdade de imprensa e o respeito pelas crenças religiosas.

Hoje, dois homens armados entraram na sede do 'Charlie Hebdo', no XI bairro de Paris, tendo-se envolvido numa troca de tiros com as forças de segurança francesas. Informações posteriores divulgadas pelo ministro do Interior francês Bernard Cazeneuve indicam que houve um terceiro envolvido no ataque.

O ataque ainda não foi reivindicado, mas, segundo testemunhas citadas por uma fonte policial, os dois homens gritaram “Vingámos o profeta”.

Segundo o mais recente balanço oficial, o ataque fez 12 mortos, entre os quais estão confirmados o diretor, três cartoonistas do jornal (Cabu, Wolinski e Tignous) e dois polícias.

Segundo a televisão pública France Télévision, os membros da redação do 'Charlie Hebdo' estavam reunidos quando ocorreu o ataque.

O presidente francês, François Hollande, deslocou-se ao local e denunciou um “ataque terrorista” de “extrema barbárie”.



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.