Economia

Jerónimo diz que "90 por cento da factura" da crise será paga pelos assalariados e reformados

Jerónimo diz que "90 por cento da factura" da crise será paga pelos assalariados e reformados

 

Lusa/AO online   Nacional   15 de Mai de 2010, 19:10

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje o plano de austeridade anunciado quinta feira pelo Governo para reduzir o défice, garantindo que 90 por cento da factura será paga pelos assalariados e reformados.

"Os trabalhadores e os reformados vão pagar 90 por cento da fatura, enquanto que aqueles que não são responsáveis pela crise e que ganham milhões e milhões de euros por dia pagam apenas uma pequena fatia. Chamar a isto equitativo é, no mínimo, uma fraude, um embuste", referiu. Para Jerónimo de Sousa, o plano de austeridade, aprovado pelo PS e pelo PSD, é "uma subserviência vergonhosa a Bruxelas" e "uma rendição sem condições aos ditames do grande capital". "A preocupação central foi salvar aqueles que vão concentrando e acumulando fortuna, com o prejuízo de quem não teve culpa nenhuma [do défice]", referiu Jerónimo de Sousa, classificando os líderes do PS e do PSD como "paus mandados dos grandes mercados financeiros". Considerou que "este não é o caminho da estabilidade e do crescimento mas sim o caminho da instabilidade e do retrocesso social a todo o vapor" e apelou à luta contra as medidas agora anunciadas. "Os mesmos que acertaram a pancada a dar ao povo são os que lhe dizem para ficarem calados. Era o que faltava", insurgiu-se. Classificou PS e PSD "como farinha do mesmo saco" e criticou a "distinta ousadia" dos dois partidos "de se apresentarem como salvadores da Pátria", quando "têm uma responsabilidade histórica na atual situação do país", por estarem no poder há mais de 30 anos, "umas vezes com o CDS, outras sem o CDS". O Governo anunciou na quinta feira um conjunto de medidas de austeridade para acelerar a redução do défice para 7,3 por cento em 2010 e 4,6 por cento em 2011.  Entre as medidas, negociadas com o PSD, estão o aumento das três taxas do IVA em 1 ponto, a criação de uma taxa extraordinária sobre as empresas com um lucro tributável acima de dois milhões de euros de 2,5 por cento e a redução de 5 por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras. Para Jerónimo de Sousa, esta redução de cinco por cento nos salários dos políticos, gestores públicos e membros das entidades reguladoras, exigida pelo PSD ao PS, não passa "uma peninha no chapéu" e de "puro cinismo". "Quem criou, legislou e atribuiu essas mordomias foram o PSD e o PS", sublinhou. Desafiou o Governo a aceitar a proposta do PCP de aliviar a carga fiscal sobre o IVA e a "ir buscar os mil milhões de euros de mordomias que estão atribuídas ao capital financeiro".


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