Jerónimo de Sousa diz ser preciso "batalhar muito" por apoios ao setor leiteiro

Jerónimo de Sousa diz ser preciso "batalhar muito" por apoios ao setor leiteiro

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Jun de 2015, 13:27

O secretário-geral do PCP alertou hoje para o "impacto brutal" que poderá ter o fim das quotas leiteiras, em especial nos Açores, considerando ser necessário "batalhar muito" por apoios ao setor a nível nacional e europeu.

Jerónimo de Sousa reuniu-se hoje com o presidente da Associação Agrícola de São Miguel, na Ribeira Grande, Açores, e alertou no final do encontro para as consequências que já está a ter o fim das quotas leiteiras na Europa, em abril passado, e o embargo russo aos laticínios europeus.

O dirigente comunista sublinhou que o mercado europeu tem neste momento excedentes de leite por estar a ser "inundado" pelos lacticínios dos países do norte, que têm "mais apoios" e "mais tecnologia", o que "poderá ter um impacto brutal" no setor em Portugal e, em especial, nos Açores, onde estão concentrados 2.500 produtores, dos sete mil que há no país.

"Deveríamos batalhar muito para defender o nosso setor leiteiro", sublinhou, defendendo reforços das verbas destinadas aos Açores no âmbito do programa europeu POSEI, específico para as regiões ultraperiféricas.

Jerónimo de Sousa considerou ainda importante que, a nível da comercialização, haja apoios ao "produto nacional", assim como "medidas de salvaguarda" da produção, tanto nacionais como europeias.

O secretário-geral defendeu ainda mudanças na carga fiscal e nos descontos para a segurança social que estão a ser pedidos aos jovens agricultores e a reivindicação, em Bruxelas, de apoios específicos para o transporte nos Açores, que têm custos acrescidos dada a distância dos mercados e a insularidade, tornando mais caros os laticínios da região.

Jerónimo de Sousa lembrou ainda que o processo que levou ao fim das quotas recolheu, ao longo dos anos, o apoio do PS, PSD e CDS-PP, acrescentando estes partidos dizem "uma coisa" nos Açores e depois "defendem outra" na Assembleia da República ou no Parlamento Europeu.

"As quotas leiteiras nunca foram o alfa e o ómega para a evolução do setor. Mas a realidade com que partimos é que com as quotas leiteiras havia um mínimo de salvaguarda e defesa do interesse nacional num setor onde éramos autossuficientes. E pode-se dizer que precisamos de mais qualificação, que precisamos de mais competitividade, tudo isso é verdade, mas a base fundamental, o ponto de partida era a garantia do escoamento", afirmou, acrescentando que na relação entre países do sul e do norte na Europa, neste caso, há um "confronto da panela de barro com a panela de ferro".

"Se não existir essa garantia [do escoamento do leite], naturalmente, quem vence, é a panela de ferro, porque eles têm capacidade e potencialidade superior à nossa", acrescentou.

Jerónimo de Sousa termina hoje uma visita de três dias aos Açores, tendo passado pelas ilhas do Faial, Terceira e São Miguel.


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