Japão abandona procura por satélite enviado para estudar buracos negros


 

Lusa/AO online   Ciência   28 de Abr de 2016, 12:09

A agência de exploração espacial japonesa Jaxa anunciou que abandonou a procura pelo satélite "Hitomi", enviado para o espaço para estudar buracos negros, após um mês de esforços para tentar salvar o projeto.

 

O satélite de alta-tecnologia "Hitomi" – "olho" em japonês – foi lançado em fevereiro para observar raios-x emanados por buracos negros e por conjuntos de galáxias mas o aparelho deixou de responder no final de março passado por ausência de energia na bateria, segundo a Jaxa, citada pela agência France-Presse.

“Julgamos que o satélite está agora num estado que não deixa esperanças de recuperar as suas funções,” explicou o alto responsável da Jaxa, Saku Tsuneta, em conferência de imprensa.

O ‘Hitomi’ foi desenvolvido através da colaboração de 70 instituições japonesas, a agência espacial americana, NASA, e a agência europeia, a ESA.

Os engenheiros da organização, com a ajuda de técnicos norte-americanos e de outros países, tinham até agora utilizado importantes meios para conhecer as razões da falha e analisaram a forma de eventualmente restabelecer a comunicação com o satélite.

A Jaxa disse que era muito provável que os painéis solares que dão energia à bateria do satélite se tenham separado do aparelho.

“[O satélite] analisou mal o seu próprio estado e tentou retificar, mas começou a girar anormalmente e perdeu painéis solares e aparentemente outras peças,” especificou o diretor do programa, Takashi Kubota.

O satélite, com 14 metros de comprimento, 09 de largura e com um peso de 1,7 toneladas, transportava 200 espelhos de recolha e concentração de raios-x, redirecionando-os para instrumentos de última geração, entre os quais quatro telescópios e dois detetores de raios-x.

A perda do aparelho foi uma deceção tanto para o Japão como para astrónomos estrangeiros .“Pedimos desculpa por não conseguir responder às [vossas] expetativas,” lamentou Tsuneta.

O projeto custou 31 mil milhões de euros (250 milhões de euros) e foi pensado para trazer respostas inéditas às questões fundamentais do universo sobre, por exemplo, as leis da física em condições extremas, a criação do universo, a formação e evolução de galáxias ou ainda o crescimento dos buracos negros e a influência que têm à volta deles.


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