Jane Goodall critica forma de medir sucesso atualmente


 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   25 de Mai de 2017, 15:34

A investigadora e ativista Jane Goodall criticou hoje a forma atual de medir o sucesso, através do dinheiro ganho, mas defendeu que, se todos se juntarem, problemas como a destruição da natureza, podem ainda ser ultrapassados.

Numa intervenção no National Geographic Summit 2017, que decorreu em Lisboa, Jane Goodall, mundialmente conhecida pelo estudo do comportamento dos chimpanzés, fez referência à situação atual, em que "há um certo desligamento entre o intelecto e o coração", com a humanidade a enfrentar vários problemas, da fome à destruição da natureza.

Quando questionada acerca do tema, na conferência de imprensa que se seguiu ao seminário, em que participaram outros especialistas da National Geographic, respondeu que a ideia que prevalece na sociedade atual é: "tenho sucesso se fizer muito dinheiro e tiver carros".

Para tentar explicar o momento em que os homens se afastaram da natureza, nomeadamente dos animais, defendeu que poderá ter sido "quando passaram a ter o suficiente, querem mais do que precisam", numa referência ao consumismo exagerado.

No entanto, deixou uma mensagem de esperança e otimismo ao dizer que, "se todas as pessoas de diferentes línguas, culturas e áreas profissionais se juntarem para resolver os problemas, as suas vozes serão ouvidas" e alguma coisa pode mudar.

O exemplo é a organização que fundou, o Jane Goodall Institute, com 22 representações pelo mundo, com o objetivo de incentivar a capacidade de cada indivíduo de agir para a melhoria do ambiente, e o programa que desenvolve para jovens, que propõem planos para melhorar o ambiente, a vida das pessoas, e a vida dos animais, e que já está em mais de 100 países, com 150 mil membros.

Quanto ao conhecimento dos chimpanzés, a que dedicou grande parte da sua vida, defendeu que muito já é conhecido, e agora "mais importante é estudar a sua multiculturalidade", ou seja, as diferenças entre os vários grupos, como as diversas formas de aprendizagem.

"Os chimpanzés transmitem cultura, passam conhecimento de geração para geração, compreendem adjetivos e pensamentos, reconhecem que crenças dos outros estão erradas", são parecidos com os homens, até no ADN, e também "podem ser violentos e brutais", descreveu.

Depois de ultrapassar o desconhecimento acerca da existência de sentimentos e emoções entre os chimpanzés, e quando percebeu que corriam perigo, Jane Goodall optou por andar pelo mundo a alertar para a necessidade de preservar os animais e a natureza, mas também de melhorar a vida de muitas populações, que se tornaram parceiras naquele objetivo.

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