Jamantas aquecem ao sol antes de mergulhar até às profundezas do oceano

Jamantas aquecem ao sol antes de mergulhar até às profundezas do oceano

 

Lusa/AO online   Ciência   3 de Jul de 2014, 17:33

Até hoje, considerava-se a jamanta como um habitante de águas superficiais, mas um estudo feito nos Açores e publicado esta semana na revista Nature Communications revela que estas criaturas mergulham regularmente a grandes profundidades.

 

Esta investigação, que resulta de uma colaboração entre investigadores do grupo de biotelemetria do IMAR - Universidade dos Açores, liderado pelo cientista Pedro Afonso, e do Woods Hole Oceanographic Institution (EUA), abre uma nova janela sobre as longas migrações e hábitos de mergulho deste, até agora, mal conhecido predador marinho.

A equipa de cientistas usou marcas de satélite para documentar as migrações de 15 jamantas entre o arquipélago dos Açores e a zona oceânica subtropical ao largo da costa noroeste de África, durante vários meses.

Os dados revelaram mergulhos frequentes até profundidades de quase dois quilómetros (entre os maiores alguma vez medidos para um animal marinho), onde as temperaturas da água atingem os três graus centígrados.

"Durante o dia, as jamantas passam mais tempo à superfície exatamente antes e logo após os mergulhos profundos, presumivelmente para se aquecerem ao sol, o que lhes permite efetuar mergulhos mais longos", explicou Pedro Afonso, em declarações à agência Lusa.

Segundo explicou, os grandes predadores marinhos que efetuam mergulhos profundos, como os atuns e o tubarão branco, conseguem manter a temperatura cerebral acima da temperatura ambiente, permitindo-lhes "manter a atividade cerebral e a acuidade visual elevadas", o que se torna uma vantagem quando se tem de caçar presas em águas profundas e geladas.

"A existência de uma elaborada vascularização na jamanta oceânica [Mobula tarapacana] também tinha sido usada para avançar a hipótese de que estas aquecessem o cérebro através deste mecanismo de troca de calor", adiantou o investigador da Universidade dos Açores.

Além de oferecer uma explicação para a existência do elaborado sistema de conservação de calor nas jamantas, este comportamento revela também, segundo os cientistas, um elo importante entre as camadas superficiais e as mais profundas do oceano.

"De facto, os perfis de mergulho sugerem que as jamantas poderão alimentar-se nestas profundidades batiais, onde se sabe existirem grandes biomassas de alimento", explicou Pedro Afonso.

As jamantas pertencem a um grupo de espécies recentemente consideradas como ameaçadas, razão pela qual o estudo agora publicado poderá ajudar a responder aos desafios de conservação que se colocam.

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