Itália quer maior apoio financeiro da UE para operações de resgate de imigrantes no mar

Itália quer maior apoio financeiro da UE para operações de resgate de imigrantes no mar

 

Lusa/AO online   Internacional   16 de Abr de 2015, 11:46

A Itália pediu à União Europeia um maior apoio financeiro para as operações de socorro aos imigrantes no Mediterrâneo e uma "resposta clara" sobre os locais para onde devem ser encaminhados depois de resgatados, declarou o chefe da diplomacia italiana.

 

"A vigilância e o socorro no mar pesam 90% sobre os nossos ombros. Nós não obtivemos uma resposta adequada da União Europeia (UE)" sobre este assunto, disse Paolo Gentiloni, numa entrevista hoje ao jornal Corriere dela Sera.

"E, depois, há um problema mais delicado. As operações de salvamento no mar implicam saber para onde as pessoas socorridas devem ser enviadas. Para o porto mais próximo? Para o país de proveniência do barco do qual salvamos as pessoas? A União Europeia deve responder claramente", acrescentou o ministro.

As organizações humanitárias denunciaram o descaso das autoridades europeias face aos naufrágios de imigrantes no Mediterrâneo, depois do suposto desaparecimento no mar, no domingo, de cerca de 400 pessoas, apesar das buscas da guarda marítima italiana.

A Amnistia Internacional revelou, nomeadamente, que com o fim da operação de salvamento Mare Nostrum, que salvou 17 mil vidas, e a sua substituição pela operação Triton, uma missão apenas de vigilância, a União Europeia voltou as costas para as suas responsabilidades e ameaça claramente milhares de vidas humanas".

Gentiloni argumentou que "a União Europeia gasta pela operação Triton três milhões de euros por mês e a Itália gere de facto todas as operações".

"O problema é europeu, mas o remédio é italiano. Isso não está certo", insistiu o ministro italiano.

O ministro pediu também à UE que "trabalhe nas regiões de origem" de crise migratória, citando a Síria, o corno de África, a zona do Mali, Níger e Republica Centro-Africana.

Em relação ao caos na Líbia, de onde parte a maioria dos barcos carregados de imigrantes, Gentiloni defendeu um acordo político entre os líbios, como quer a ONU, para formar um "Governo mais inclusivo".

"Entretanto, não temos meses diante de nós. O duplo risco do avanço do Estado Islâmico e ondas migratórias obrigam-nos a uma corrida contra o tempo", disse.

Face às ameaças, Gentiloni evocou a possibilidade de "ações antiterroristas, por exemplo, no quadro da coligação anti-Estado Islâmico, ações contra o tráfico de seres humanos e colaboração para a receção de refugiados nos países vizinhos".

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.