Israel lança programa de expulsão de dezenas de milhares de migrantes ilegais

Israel lança programa de expulsão de dezenas de milhares de migrantes ilegais

 

Lusa/AO online   Internacional   3 de Jan de 2018, 14:38

Israel anunciou hoje o início de um programa destinado a impor a quase 40 mil migrantes ilegais a escolha entre serem expulsos ou detidos caso não regressem aos países de origem até ao fim de março.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ao falar no início de uma reunião do seu Gabinete, congratulou-se com a implementação do projeto destinado “a obrigar os migrantes ilegais a deixarem” Israel.

Os que permanecerem no país a partir de abril ou serão expulsos ou serão detidos por tempo indeterminado, acrescentou.

Inicialmente, a notícia divulgada dava conta de que a medida se destinava apenas aos migrantes ilegais africanos, mas abrange afinal todos os migrantes ilegais no país.

Segundo dados oficiais do Ministério do Interior israelita, estão abrangidas cerca de 38.000 pessoas, na maioria eritreus e sudaneses, a cujos países, reconhece tacitamente o Governo israelita, não podem regressar por não lhes garantirem a respetiva segurança.

O regime eritreu é acusado pelas Nações Unidas de crimes contra a humanidade “generalizados e sistemáticos”.

Quanto ao Sudão, o presidente sudanês, Omar el-Bashir, tem pendente um mandado de detenção decretado pelo Tribunal penal Internacional (TPI) por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Os que abandonarem o país dentro do prazo serão recompensados com 3.500 dólares (2.912 euros ao câmbio de hoje), bem como com o bilhete de avião e outros incentivos.

A Linha de Apoio aos Trabalhadores Migrantes, um grupo de advocacia israelita, condenou na terça-feira a decisão, alegando que as ordens de expulsão “põem em risco a vida dos refugiados”.

Milhares de africanos entraram em Israel antes de as autoridades israelitas terem erguido uma rede de proteção ao longo da fronteira com o Egito.

Muitos deles garantiram que estavam a fugir de conflitos e de perseguições políticas, procurando em Israel o estatuto de refugiado.

No entanto, Israel considera-os “infiltrados” e defende que muitos deles abandonaram os países de origem por questões financeiras.

Ainda segundo os dados oficiais do Ministério do interior israelita, 4.012 migrantes em situação irregular deixaram Israel em 2017, sendo que 3.332 são oriundos da África subsaariana.



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