Investigadores querem mais restrições no acesso ao topo da montanha do Pico

Investigadores querem mais restrições no acesso ao topo da montanha do Pico

 

LUSA/AO Online   Regional   21 de Jan de 2017, 12:32

O acesso ao piquinho, o topo da montanha do Pico, nos Açores, deveria ser mais restrito e mais fiscalizado, defenderam hoje investigadores, considerando ser necessário preservar a zona

“É muito importante distinguir a montanha do Pico e o piquinho. A primeira é uma jovem bastante robusta e grande, enquanto o piquinho é o contrário, é uma estrutura pequena, frágil e tem de ser tratada”, disse à agência Lusa o coordenador científico da Associação Geoparque Açores, João Carlos Nunes. Para João Carlos Nunes, docente na Universidade dos Açores, que fez uma tese de doutoramento sobre a geologia da ilha do Pico, o turismo sustentável não pode ser apenas um chavão, pelo que é fundamental estabelecer um “controlo mais rigoroso” do número de pessoas que vão até ao piquinho, por ser a zona “mais delicada e vulnerável”. O piquinho é uma formação geológica localizada 70 metros acima da cratera da montanha do Pico, a mais alta de Portugal com 2.351 metros. “Existe regulamentação, existem regras, mas podem ser melhoradas. A base de tudo isso passa por uma fiscalização eficaz, que é muito difícil no caso da montanha do Pico”, referiu João Carlos Nunes, defendendo que as coimas aplicadas deveriam ser proporcionais à dificuldade de monitorizar as pessoas que sobem o terceiro maior vulcão do Oceano Atlântico. Segundo disse o investigador, pelas fotografias tiradas em 1993, ano em que subiu a montanha pela primeira vez, e a atualidade nota-se “algumas alterações”, provocadas quer pela presença humana, quer pela própria natureza. Também o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz preconiza maior cautela no acesso ao piquinho, que disse corresponder à terceira fase de crescimento desta montanha, a mais recente. “Processou-se no ano de 650 da nossa era. Está bem datado, porque essa erupção soterrou florestas”, explicou Victor Hugo Forjaz, acrescentando que as pessoas ao subirem até ao piquinho “partem a lava em pedaços”. O vulcanólogo disse não ver qualquer inconveniente das pessoas irem até à cratera principal, “desde que sejam acompanhadas por guias e não levem rochas como recordação”. “Ir ao piquinho, acho que se deve restringir fortemente”, sustentou, acrescentando que o acesso devia ser limitado a investigadores ou a grupos de fotógrafos e cineastas. De acordo com Victor Hugo Forjaz, “as lavas do piquinho são de ‘vidro’ e devem ser tratadas com a maior cautela”, alegando, por exemplo, que nas Canárias existem ilhas onde não se admite mais pessoas “exatamente porque a natureza é o património mais rico e valioso”. O diretor regional do Ambiente dos Açores, Hernâni Jorge, assegurou que já existem restrições no acesso ao piquinho, que foram reforçadas em 2016, uma vez que “desde maio só é permitida a presença em simultâneo de 30 pessoas nesta formação”, quando anteriormente eram 40. Paralelamente, Hernâni Jorge destacou que no último ano foi criada “uma espécie de taxa moderadora” para aceder, sem guia, ao piquinho, o que implica ao visitante pagar mais dois euros, além dos dez cobrados para aceder à montanha, permitindo ter “um controlo efetivo do número de pessoas que acede ao topo do Pico. Em 2016 mais de 12 mil pessoas escalaram a montanha do Pico, mas apenas dois terços subiram até ao piquinho, adiantou o diretor regional.


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