Investigadores portugueses descobrem nova forma de calcular hora da morte


 

LUSA/AO Online   Nacional   8 de Nov de 2015, 13:41

O presidente da Associação Portuguesa de Ciências Forenses divulgou hoje ter desenvolvido, em colaboração com outros investigadores portugueses, dois modelos matemáticos com análise sanguínea para calcular com maior precisão a hora da morte de uma pessoa.

O investigador responsável pelo projeto, Ricardo Dinis, esclareceu que o método “resultou numa análise a vários parâmetros sanguíneos” e que a partir daí se desenvolveram dois modelos matemáticos que podem diminuir “significativamente” os erros de estimativa, reduzindo a margem do engano para uma hora. “O que nós fizemos foi colher o sangue de pessoas vivas, dadores e simulamos o comportamento 'post mortem' [depois da morte] desse sangue. Ou seja, pusemos esse sangue em putrefação, à semelhança do que acontece no cadáver. A partir daí desenvolvemos um modelo matemático. Depois aplicamos esse modelo a animais e funcionou”, explicou à Lusa. Para os responsáveis, o cálculo da hora da morte é “um dos maiores dogmas da área forense”, sendo que a maior parte dos métodos utilizados são “tradicionais” baseados “em opiniões subjetivas do perito”. O método, desenvolvido com a colaboração do Instituto Superior de Saúde do Norte - CESPU, das Faculdades de Farmácia e Medicina da Universidade do Porto e da Universidade do Minho, “traz a possível inclusão ou exclusão de suspeitos associados a um local de crime”. “Eu estimo um intervalo de 'post mortem' de aproximadamente sete horas, de alguém que teria morrido por exemplo às 07:00, e se o suspeito foi visto com a vítima a essa hora, podemos incluir o suspeito naquele crime. Se a vítima morreu às 07:00 e eu digo que ela morreu as 18:00 e se a essa hora o agressor está a trabalhar e tem testemunhas, vou excluí-lo erradamente do crime”, explicou Ricardo Dinis. Os modelos utilizados atualmente baseiam-se, entre outros, nas alterações que acontecem nos olhos, medição da temperatura corporal, alterações da cor da pele, com “erros de cálculo gigante, muitas vezes, de vários dias”. O investigador forense adiantou que a vantagem do método é que não “carece de pessoal muito especializado para entrar em rotina” e que o objetivo foi “trazer algo que seja facilmente implementado e que qualquer laboratório do país tenha condições para fazer esse tipo de diagnóstico”. O trabalho foi publicado no final do mês de outubro numa revista internacional que se dedica à publicação de estudos científicos com impacto social, o que para os responsáveis foi o “atestar da credibilidade”. “A ferramenta foi criada, o modelo é fácil de ser aplicado, só precisa de ser transposto, agora, pelos potenciais interessados. Na minha modesta opinião, é perder algum conforto, alguma comodidade de estar sempre a fazer o mesmo e implementar coisas novas, é uma barreira que tem de ser passada individualmente por cada um dos interessados”, avançou. O responsável pelo projeto salienta a “mais-valia” que representa o novo método, considerando-o “revolucionário” pela sua “facilidade de aplicação”. O método está pronto para entrar em vigor a qualquer momento e os investigadores veem o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses como “um grande potencial interessado”.


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