Intervenção psicoeducativa "melhora significativamente" saúde de cuidadores de esquizofrénicos


 

Lusa/AO Online   Nacional   3 de Mai de 2016, 07:20

Uma intervenção psicoeducativa em cuidadores informais de doentes esquizofrénicos permite diminuir a sobrecarga e melhorar significativamente a sua saúde mental, revela um estudo que envolveu 223 cuidadores em Portugal e Espanha.

 

O Estudo de efetividade de um Programa de Intervenção Psicoeducativo (PIP) pretendeu avaliar a eficácia de um programa de intervenção psicossocial para prevenir ou reduzir a sobrecarga do cuidador de doentes esquizofrénicos ou transtorno esquizoafectivo

O estudo envolveu 223 cuidadores informais, como familiares e amigos, dos quais 114 receberam apoio estandardizado do serviço de psiquiatria e os restantes foram sujeitos ao PIP.

Os que participaram no programa frequentaram sessões de apoio durante 12 semanas, em que receberam informação clínica sobre a esquizofrenia e treinaram habilidades cognitivas e comportamentais, que incluíram competências de comunicação, a capacidade de encontrar e apreciar eventos agradáveis, procurar auxílio quando necessário e técnicas de relaxamento.

“As avaliações feitas em três momentos (durante o programa, quatro meses depois e oito meses após a intervenção) permitiram verificar uma melhoria contínua e significativa na saúde mental destes cuidadores, evidenciando a redução do impacto da doença”, sublinha o estudo que envolveu 16 centros das Irmãs Hospitaleiras em serviço ambulatório em Portugal e Espanha.

Quando questionados sobre as “ferramentas mais úteis” que obtiveram com este programa, os cuidadores referiram “conhecimentos sobre a doença”, “formas de ajudar o meu familiar”, “relaxação”, “importância de cuidar de mim”, “maior tolerância nas situações difíceis” e “melhoria da comunicação”.

Em declarações à agência Lusa, a psicóloga Catarina Vigidal, que ministrou o PIP na Casa de Saúde da Idanha, adiantou que este programa é inovador porque é dirigido aos cuidadores.

“Foi muito gratificante para nós desenvolver este trabalho” com familiares, porque ”a maior parte da informação e dos programas psicoeducativos que existem é para ajudar o utente”, adiantou.

Para a psicóloga, os cuidadores são uma “população de risco”, porque estão expostos a uma grande sobrecarga.

A doença mental grave é crónica e “consome muito da disponibilidade dos cuidadores”, que podem “sofrer consequências negativas”, nomeadamente psicológicas, somáticas, sociais, conhecidas como sobrecarga do cuidador.

Esta sobrecarga pode ter “efeitos adversos” na sua vida como falta de tempo, dificuldades financeiras, problemas de saúde, alterações na vida pessoal, social, profissional e na qualidade de vida, explicou.

Neste programa, “o cuidador tem que olhar para si” e perceber o que pode fazer para se proteger.

“A pessoa vive a doença, os sintomas, os médicos e de repente tem de olhar para si e é isto que faz a diferença”, disse Catarina Vidigal, sublinhando que se o cuidador “estiver bem pode ajudar melhor o doente”.

“É muito importante que o cuidador se sinta bem consigo, que tenha menos sobrecarga, se não pode adoecer e deixamos de ter uma pessoa doente para passarmos a ter um agregado familiar”, frisou.

O estudo aponta a necessidade de desenvolver estes programas nas instituições para cuidadores de doentes mentais graves

A Casa de Saúde da Idanha adaptou este programa para os profissionais de saúde que trabalha com doentes mentais e que apresentam “risco de sobrecarga”.

Os principais cuidadores de doentes mentais graves são os pais e 42% dedicam mais de 60 horas semanais em tarefas de cuidados.

 

 

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