Interesses vitais de Portugal devem ser acautelados no corte na Base das Lajes

Interesses vitais de Portugal devem ser acautelados no corte na Base das Lajes

 

Lusa/AOonline   Regional   27 de Nov de 2012, 13:12

A forte redução da presença militar norte-americana na Base das Lajes resulta de cortes orçamentais difíceis que são necessários, mas devem acautelar os interesses vitais de um aliado chave como Portugal, disse à Lusa o congressista republicano Devin Nunes.

 

O congressista luso-americano, que participou desde o início no esforço para tentar suavizar os anunciados cortes norte-americanos na base aérea nos Açores, diz que a administração Obama deve ter consciência "completa" das "capacidades importantes" que as Lajes têm.

"Mas os Estados Unidos terão de levar a cabo muitos cortes orçamentais difíceis devido à nossa dívida nacional de 16 biliões de dólares", disse à Lusa.

"Portugal é um aliado norte-americano chave e precisamos de assegurar que quaisquer medidas de cortes de custos não prejudicam os seus interesses vitais ou os nossos próprios", adiantou.

Fonte oficial do Pentágono disse à Lusa na segunda-feira que a forte redução da presença militar norte-americana nas Lajes, comunicada pelo Departamento de Defesa norte-americano ao Governo português na semana passada, é "basicamente definitiva", mas ainda há "sérias discussões sobre o processo" que estão em curso.

De acordo com o major Robert Firman, cabe a Lisboa apresentar ao Departamento de Defesa as suas questões sobre o processo, dizendo respeito à redução do impacto económico e laboral, que Washington procurará atender.

Nos próximos dias, adiantou, o Governo português deverá fazer um anúncio formal do resultado do processo negocial, que foi lançado no início deste ano durante uma visita do ministro da Defesa Aguiar Branco a Washington, onde se avistou com o secretário da Defesa, Leon Panetta.

No sábado passado, em Torres Vedras, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, afirmou que Portugal vai tomar "em breve" uma posição sobre a redução da presença norte-americana na Base das Lajes.

"A redução decidida pelos Estados Unidos terá obviamente consequências", admitiu Paulo Portas.

O Governo da República e o Governo Regional dos Açores, disse, devem articular-se para "reduzir o impacto da decisão do ponto de vista económico na Ilha Terceira, no concelho da Praia e no emprego".

Na segunda-feira, em Ponta Delgada, o presidente do governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, afirmou que "os Estados Unidos têm a responsabilidade de criar as condições para que seja possível lidar com o impacto social e económico" de reduzir a presença na base das Lajes.

Segundo uma fonte ligada ao processo, Portugal pretende que o início do processo de retirada dos militares norte-americano, previsto para 2013, seja adiado por um ano, para 2014 ou 2015.

Outra pretensão é que a dispensa dos trabalhadores portugueses não seja feita "de uma só vez", mas "em blocos ao longo do tempo", referiu.

"Nesta fase, podemos tentar adiar e minimizar o impacto", disse à Lusa a mesma fonte.

O secretário da Defesa Leon Panetta, informou o homólogo português, José Pedro Aguiar-Branco, da intenção dos Estados Unidos reduzirem a presença na Base das Lajes, num encontro no Departamento da Defesa, em Washington, no final de fevereiro.



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