Integração europeia "é mais importante que nunca" na era da globalização

Integração europeia "é mais importante que nunca" na era da globalização

 

Lusa/AO Online   Internacional   10 de Nov de 2011, 07:21

O presidente da Comissão Europeia afirmou que a integração europeia “é mais importante do que nunca na era da globalização” para defender o modo de vida, os valores e o bem-estar da Europa, em discurso pronunciado em Berlim.

José Manuel Durão Barroso, que falava na conferência anual “Discurso sobre a Europa” - uma iniciativa da Fundação Konrad Adenauer, próxima da chanceler Angela Merkel, realizada na data em que o Muro de Berlim caiu, em 1989 -, lembrou simultaneamente que a Europa “é um conceito dinâmico, que não está gravado na pedra e tem de se adaptar as circunstâncias políticas e económicas”.

Na opinião do ex-primeiro ministro português, apesar de deparar com grandes dificuldades, e de enfrentar uma das suas maiores crise, “facto é que a Europa criou a sociedade mais humana que a História conhece”, tornando-se um exemplo para todo o mundo.

A questão central agora, na opinião de Barroso, “é ter vontade política para aprofundar a união” e mostrar aos cidadãos o que está em jogo, escolher o caminho da força, e não o da fraqueza, o caminho da unidade, e não o da divisão.

“Temos de estar prontos para defender a Europa em tempos difíceis, e não apenas em tempos fáceis”, disse Barroso a uma plateia de centenas de pessoas na Haus der Berliner Festspiele, que o aplaudiram de pé no final do longo discurso, em que não se eximiu também de criticar a Alemanha.

Nesta altura de crise, Berlim tem de mostrar liderança, mas num “espírito comunitário”, afirmou o presidente da Comissão Europeia, agradecendo, simultaneamente, a grande contribuição financeira que Berlim tem dado para tentar superar a atual crise das dívidas soberanas.

“Em política, muito vezes o mais importante não é o que fazemos, mas a forma como o fazemos. Trata-se de explicar com entusiasmo o que, em nossa opinião, é melhor para os cidadãos europeus, e por isso a agenda europeia tem de ser positiva”, advertiu.

Durão Barroso voltou a defender a ideia de que o governo da Europa deve ser confiado à Comissão, sustentando que as instituições supranacionais são “o melhor garante pelo respeito dos princípios acordados numa união de Estados” soberanos.

“São precisamente estas instituições supranacionais que têm a independência e a objetividade para assegurar que todos os Estados-membros, tanto aqueles da Zona Euro como os outros, são tratados da mesma forma à luz dos Tratados”, disse.

O presidente da Comissão Europeia aproveitou também a ocasião para anunciar que vai apresentar mais um pacote de medidas para aprofundar a governação económica da Zona Euro e da União Europeia.

Barroso advertiu que “o desafio que se coloca agora é como aprofundar a integração da Zona Euro, sem criar divisões com aqueles que ainda não fazem parte” do espaço monetário único.

O presidente do Executivo comunitário reafirmou a sua convicção de que “desde que haja vontade política, o maior poder emergente no mundo será a União Europeia” e defendeu que o mundo precisa de “mais Europa, e não menos”, daí a necessidade de uma maior integração.

Neste contexto, defendeu também a emissão de ‘eurobonds’, títulos da dívida pública conjuntos dos países da moeda única, admitindo, porém, que é preciso criar os instrumentos para tal, alterando os tratados.

José Manuel Durão Barroso voltou ainda sublinhar que os países têm o direito a não seguirem todos o mesmo caminho.

Porém, não têm o direito de evitar que outros avancem, uma ideia que já deixara em setembro na sua apresentação do “Estado da União” perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, quando sugeriu a conveniência de se rever a regra da unanimidade no processo de construção europeia.

“A velocidade da União Europeia e, por maioria da razão, da Zona Euro não pode ser a velocidade dos membros mais lentos ou mais relutantes. Deve haver, e de facto há, cláusulas de salvaguarda para aqueles que não querem seguir” (certas políticas).

“Mas uma coisa é não as seguir, outra, completamente diferente, é impedir os outros de seguirem em frente”, sustentou.


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