Instituto Açoriano de Cultura lança em livro diário de cientista José Agostinho


 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Fev de 2017, 10:21

O Instituto Açoriano de Cultura (IAC) editou em livro o diário de uma viagem do tenente-coronel José Agostinho, que se destacou como meteorologista e sucedeu a Afonso Chaves no Serviço Meteorológico dos Açores, foi hoje anunciado.

 

“Esta obra acaba por ser resultado de uma feliz descoberta que o professor Carlos Riley, da Universidade dos Açores, conseguiu pesquisar no infinito espólio da Biblioteca e do Arquivo Regional de Angra do Heroísmo”, declarou à agência Lusa o presidente do IAC, Paulo Raimundo.

O livro, "José Agostinho - Diário de Viagem. Itália e Áustria Agosto-Setembro, 1937”, de 126 páginas e com uma edição de mil exemplares, conta com textos de enquadramento de José Guilherme Reis Leite e notas críticas de Cátia Benedetti e Carlos Guilherme Riley, professores da Universidade dos Açores.

Segundo Paulo Raimundo, o historiador Carlos Riley, num dos trabalhos de pesquisa e consulta que desenvolveu, foi confrontado com “dois pequenos cadernos manuscritos” por José Agostinho (1888-1978), natural de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, que, de uma forma “muito peculiar”, retratavam uma viagem efetuada, em 1937, a Itália e Áustria, grande parte dela por via marítima.

“Achando curioso o conteúdo e sendo da autoria de uma personalidade que marcou, não só os Açores como o próprio país, propus ao IAC a sua edição em livro, acompanhada não só da transcrição dos textos e explicação de alguns desenhos que existem, bem como com base num modelo que implicasse textos de enquadramento histórico, geográfico, social e familiar”, referiu o presidente do IAC.

Uma nota de imprensa do instituto adianta que o diário se encontra dividido em duas partes, sendo que a primeira relata a viagem desde Lisboa até ao norte de Itália e a segunda, dedicada à estadia na Áustria, cobre o regresso entre Trieste e Ponta Delgada.

Grande parte da viagem foi efetuada por via marítima, a bordo dos paquetes Vulcania e Saturnia, cujas ligações regulares entre Itália e os Estados Unidos da América faziam escala em Lisboa e nos Açores, adianta a mesma nota.

Paulo Raimundo apontou que, além da Itália e da Áustria, percorridas, na sua maioria, de comboio, a viagem abrangeu também outras cidades e portos do Mediterrâneo ocidental, designadamente Argel e Gibraltar.

De acordo com o IAC, José Agostinho realizou os estudos gerais em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e em Lisboa, tendo desenvolvido a carreira militar. Integrou o Corpo Expedicionário Português em França, onde desembarcou em 1917.

Antes, esteve colocado no Faial, onde passou a ser colaborador de Afonso Chaves, meteorologista e naturalista.

Quando regressou da guerra, José Agostinho foi convidado por Afonso Chaves, à data diretor do Serviço Meteorológico dos Açores, para um lugar no observatório na ilha de São Miguel, “iniciando, assim, o seu trabalho de meteorologia e geofísica”.

O IAC acrescenta que, com a morte de Francisco Afonso Chaves, José Agostinho foi nomeado diretor do Serviço Meteorológico dos Açores e tornou-se “um especialista de renome internacional na meteorologia e geofísica”.

Fundou a Sociedade Afonso Chaves, de que foi diretor, e também o Instituto Açoriano de Cultura.

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