Inquérito aos transportes marítimos nos Açores motiva acusações entre BE e PS


 

Lusa/AO Online   Regional   12 de Jan de 2016, 17:49

O Bloco de Esquerda acusou hoje o PS de não estar interessado no apuramento da verdade na comissão de inquérito aos transportes marítimos nos Açores, mas os socialistas consideram as acusações demagógicas e ofensivas.

“O PS não está interessado no apuramento da verdade doa a quem doer e estou a citar um deputado do PS que, aquando da constituição desta comissão, em plenário, disse exatamente que a integrava porque tinha a garantia do presidente do Governo Regional que ela apuraria a verdade doesse a quem doesse”, afirmou Zuraida Soares, em conferência de imprensa, na cidade da Horta, ilha do Faial.

A única deputada do BE no parlamento açoriano considerou que a prática não está a demonstrar o que foi afirmado, revelando que o PS e o PCP votaram contra a prorrogação do prazo desta comissão que termina na terça-feira, não permitindo a inclusão do relatório solicitado ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Para o PS/Açores, pela voz do deputado Miguel Costa, as acusações do BE são “profundamente demagógicas e ofensivas” para com todos os deputados presentes na comissão e por todo o trabalho desenvolvido.

O socialista acrescentou que foram ouvidas mais de 24 testemunhas, escritas mais de 300 páginas no relatório provisório e reunidas mais de 60 mil páginas em anexo.

“O PS entende que há prazos. A lei impõe prazos e estão bem definidos”, salientou Miguel Costa.

A comissão de inquérito aos transportes marítimos foi criada, por proposta do PSD, para investigar acidentes ocorridos no final de 2014 na ilha do Pico, num dos quais morreu um passageiro da Transmaçor, uma das empresas públicas açorianas que asseguravam o transporte marítimo de pessoas e viaturas no arquipélago, entretanto fundida na Atlânticoline.

A comissão pretende ainda analisar investimentos feitos em portos e barcos nos Açores e apurar responsabilidades políticas.

Na segunda-feira, o presidente da comissão de inquérito, o social-democrata João Bruto da Costa, afirmou à Lusa que os trabalhos terminavam no dia 19 sem o estudo do LNEC por falta de entendimento entre os partidos.

Foi a deputada bloquista que solicitou em outubro à comissão de inquérito para que o parlamento pedisse ao LNEC um estudo técnico ao cabeço de amarração envolvido no acidente mortal no porto de São Roque do Pico.

Hoje, Zuraida Soares reiterou que se a maioria socialista quisesse apurar a verdade tinha decidido esperar pela entrega do relatório do LNEC, considerando que, como não o fez, “está a fugir à verdade”, dado que este relatório “é essencial” para perceber o que de facto aconteceu no porto de São Roque do Pico.

A este propósito, apontou a existência de “vários relatórios contraditórios sobre quem recai as responsabilidades pelo sucedido”.


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