Incineradora em São Miguel leva a troca de acusações entre PSD e PS

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Vasco Cordeiro

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A construção de uma incineradora na ilha de São Miguel,"acendeu" hoje o debate no parlamento regional, com troca de acusações entre o PS, partido que governa a região, e o PSD, maior partido na oposição.
 

 

No debate das propostas de Plano e Orçamento regionais para 2017, na Horta, ilha do Faial, a deputada social-democrata Catarina Furtado começou por questionar o executivo açoriano se “continuará a demitir-se das suas responsabilidades no âmbito da temática da gestão de resíduos na região, em específico no que diz respeito à intenção de construção de uma incineradora na ilha de São Miguel”, projeto que tem sido objeto de contestação.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, respondeu que “fundamental” é ter “coerência, responsabilidade e memória”, referindo que em 2008 foi aprovado pelo parlamento regional, com os votos do PS e do CDS e com a abstenção do PSD, “um plano estratégico de gestão de resíduos que previa a valorização energética”.

“Isto é uma questão de lei e que foi decidido por esta assembleia”, frisou Vasco Cordeiro, acrescentando que, em 2011, foi também aprovado o Regime Geral de Prevenção e Gestão de Resíduos que “contemplava a valorização energética”, aprovado com os votos favoráveis do PSD, PS, CDS-PP, com o voto contra do PCP e a abstenção do BE.

A parlamentar Catarina Furtado insistiu na pergunta “como se decide uma solução sem se estudar todas as alternativas”, mas Vasco Cordeiro respondeu com três questões, depois de dizer que o plano aprovado em 2008 falava na valorização energética por incineração: “Por que razão os senhores apoiam a incineração na Terceira e não apoiam a incineração em São Miguel? Apenas porque em São Miguel surge mais contestação? É a isto que está reduzido aquele que se diz o maior partido da oposição?”.

O líder parlamentar do PSD/Açores, Duarte Freitas, acabou por entrar na discussão, dizendo que o que o PS gostava “mesmo era de uma espécie de ação nacional, em que toda a gente aplaudisse as vossas propostas, mas com o requinte de ainda poderem criticar quem vos aplaudisse”.

“Se os senhores julgam que nos atemorizam por tentarem fazer do PSD sempre o principal alvo da política açoriana, não nos atemorizam”, garantiu, frisando: “Os senhores são pela incineração e nós dizemos que é preciso estudar até às últimas consequências, em função dos avanços tecnológicos, outras alternativas”, declarou.

O chefe do executivo garantiu estar “longe, longe” de qualquer ideia de união nacional.

“Eu basto-me com a coerência, com a responsabilidade e a memória e é isso que tem faltado ao PSD e ao senhor neste processo de incineração”, retorquiu Vasco Cordeiro.

A secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, acrescentou que, sobre a gestão de resíduos, o executivo açoriano não "sente necessidade de evidenciar aquilo que pensa nesta matéria em prol dos movimentos cívicos importantes, que vão surgindo conforme dá mais jeito ou menos jeito em termos de mediação pública e de conquista de opiniões de quem conhece menos estes temas e que, muitas vezes, é levado por alguma opinião mais tendenciosa".

Em dezembro de 2016, a Assembleia Intermunicipal da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel aprovou, por unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora de resíduos, orçada em mais de 60 milhões de euros, um projeto que tem sido objeto de críticas por vários quadrantes da sociedade civil.

Nos Açores já existe uma incineradora em funcionamento, na ilha Terceira.