Incêndios são obra de "terrorismo" e de "desesperados", diz Alberto João Jardim

Incêndios são obra de "terrorismo" e de "desesperados", diz Alberto João Jardim

 

Lusa   Nacional   15 de Ago de 2010, 15:21

O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, disse hoje que os incêndios que a Madeira sofreu nos últimos dias são obra de “terrorismo” dos “desesperados” e que cabe às forças policiais “fazer o seu trabalho”

Alberto João Jardim fez esta observação à margem da cerimónia religiosa de Nossa Senhora do Monte e quando confrontado com a vaga de incêndios que atingiu a Madeira, sobretudo na sexta feira: “Há aqui pistas, há aqui gente que nunca aceitou a nossa política de florestação, a polícia tem muita pista por onde pegar”.

Para o governante madeirense, “é terrorismo, é o caso do que a América Latina chama de ‘os desesperados’, os tipos que estão contra a sociedade, estão contra tudo e todos e, portanto, um dos seus atos de desespero é lançar a destruição”.

“Terrorismo não é só pôr bombas, isto que se está passando também é terrorismo, claro que há pistas que têm de ser seguidas e aprofundadas”, considerou.

Realçou que “as forças de investigação criminal têm que se deixar de preocupar com a política e fazer o seu trabalho”.

Classificou os incêndios de obra de “canalhedo, isto é do que há de mais reles numa sociedade, quem faz uma coisa destas é o que há de mais baixo e mais reles, são estas pessoas que não podem ter lugar numa democracia”.

Alberto João Jardim defendeu ainda mudanças na área da Justiça que permitam a punição dos pirómanos: “As forças policiais têm uma certa razão, primeiro as leis são anedóticas em Portugal, e, em segundo lugar, a aplicação dessas mesmas leis demora o tempo que demora, as pessoas são soltas mesmo altamente indiciadas com a prática do crime de fogo posto, isto não funciona. Mas eu digo isto há 30 anos.”

“Ou há uma revisão da Constituição, ou isto fica, mais cedo ou mais tarde, como ficou no Estado Novo, os que são pelo regime e os que são contra o regime”, sustentou.

Defendeu ainda a denúncia sempre que as pessoas estejam perante atos de pirómanos, porque “aqui não é bufaria, aqui é legítima defesa de todos, é legítima defesa de um património que é coletivo”, mas recusou a justiça popular.

“Mesmo que eu concordasse, não podia defender porque estamos num Estado de Direito, é um mau Estado e o Direito é mau, mas estamos num Estado de Direito”.

No entanto, não condenaria uma tareia: “Ah uma tareia não, estou a dizer que não condenaria, não estou dizendo que dava um louvor”.

Alberto João Jardim interrompeu hoje as férias na ilha do Porto Santo para estar presente nas cerimónias religiosas de Nossa Senhora do Monte, Padroeira da Região Autónoma da Madeira.

A Igreja do Monte, freguesia fortemente atingida pelos incêndios, é a única que se mantém iluminada o ano inteiro por deliberação do Governo Regional.


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