Imparidades justificam reforço de capital de 2,7 mil ME

Imparidades justificam reforço de capital de 2,7 mil ME

 

Lusa/Açoriano Oriental   Economia   4 de Jan de 2017, 14:08

O ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) escusou-se a quantificar o valor das imparidades identificadas no banco, mas considerou que o aumento de capital de 2,7 mil milhões de euros é adequado para fazer face a estas perdas potenciais.

 

"A estimativa que foi feita conduz a que a necessidade do aumento de capital ascender a 2,7 mil milhões de euros se justifica. Se a CGD fizer as imparidades calculadas neste exercício, o rácio de crédito em risco passa de 12,8% para 9% e a cobertura de crédito em risco passa para 96% (hoje é de 68%)", afirmou António Domingues no parlamento, depois de questionado sobre o nível de imparidades existentes no banco público.

Na sua audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA), o gestor revelou que durante os quatro meses em que esteve na liderança da instituição foi feito um exercício de análise de todos os riscos existentes na CGD.

"O que a minha equipa fez, em conjunto com as equipas da CGD, foi avaliar a CGD de A até Z. Perto de 80% das estimativas de imparidades resultam de análises individuais de risco", disse Domingues, sublinhando que "a avaliação de imparidades é calcular a probabilidade de um credor pagar ou não o crédito".

E realçou: "Participei em 98% destas reuniões e convidei para estarem presentes elementos do SSM [Mecanismo Único de Supervisão]".

A 24 de agosto passado, a Comissão Europeia anunciou ter chegado a um acordo de princípio com o Governo português para a recapitalização do banco "em condições de mercado" num montante superior a 5.000 milhões de euros.

A primeira fase da recapitalização arranca precisamente hoje, com a transferência de ações da ParCaixa para a CGD no valor de 500 milhões de euros, e a conversão em capital de 960 milhões de euros de instrumentos de capital contingentes (CoCo) subscritos pelo Estado em 2012.

A operação inclui ainda uma injeção de capital feita pelo Estado de até 2.700 milhões de euros e ainda uma emissão de dívida subordinada de 1.000 milhões de euros a colocar junto de investidores institucionais privados.

Hoje, Domingues explicou que parte do valor total será aplicada na reestruturação do banco (redução do número de trabalhadores e de agências) e no processo de desinvestimento de ativos não estratégicos (que quantificou em cerca de 200 milhões de euros), além do reforço de capitais próprios para cumprir o aumento das exigências regulatórias.

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