Ilha Terceira vai ter centro de dia para doentes com demência


 

Lusa/AO Online   Regional   30 de Set de 2016, 14:07

A ilha Terceira, nos Açores, vai ter, a partir de outubro, um centro de dia especializado em demências, com atividades de estimulação física e cognitiva dos doentes, para retardar o avanço de patologias como o Alzheimer.

"Se não for possível o retrocesso de alguma componente dessa doença, pelo menos que não se agrave e dê condições de qualidade de vida a essas pessoas que, por vezes, (…) estão muito entregues a si próprios nos seus domicílios", disse em declarações aos jornalistas Bento Barcelos, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo (SCMAH), que vai implementar o projeto-piloto em parceria com outras instituições.

A unidade, instalada junto ao lar de idosos da SCMAH, terá capacidade inicial para 12 utentes e funcionará nos dias úteis, entre as 08:30 e as 18:00, permitindo dar apoio aos familiares que cuidam de doentes dementes, sem recorrer à sua institucionalização.

Bento Barcelos admitiu, no entanto, a possibilidade de alargar posteriormente a capacidade do centro para acolher mais utentes e a criação de novas valências.

"É provável que, no futuro, se possa evoluir para um centro residencial que seja de dia e de noite. Tínhamos como objetivo ter uma unidade de cuidados continuados para a pessoa com demência, porque nalguns casos não há condições no domicílio para estarem à noite ou durante o fim de semana", revelou.

O projeto é o primeiro do género na ilha Terceira e o segundo nos Açores, existindo um centro que presta este tipo de apoio há vários anos na ilha de São Miguel.

Além de prestar um apoio semelhante aos tradicionais centros de dia para idosos, com cuidados de saúde, alimentação e higiene, este centro terá atividades específicas para doentes dementes, como arte-terapia, psicomotricidade, atividade motora adaptada, informática interativa, ateliês personalizados, atividades de recreação e lazer ou estimulação cognitiva e sensorial.

Por outro lado, será prestado um apoio aos cuidadores informais, "para perceberem quais são os melhores comportamentos para lidarem com os familiares que sofrem desta doença".

A criação deste centro envolve um apoio de cerca de 60 mil euros anuais do Governo Regional, tendo sido hoje assinado um protocolo entre as duas entidades.

Segundo a secretária regional da Solidariedade Social, Andreia Cardoso, durante muitos anos "o acolhimento institucional foi visto como a única resposta para este tipo de situações", mas a criação de parcerias entre várias entidades tem possibilitado soluções que permitem prolongar a permanência das pessoas nas suas casas.

"Por via da doença é impossível a permanência sozinhos durante o dia nas suas habituações, mas é possível que regressem ao final do dia. E isso é fundamental. É, no fundo, uma partilha de responsabilidades entre a sociedade civil e a própria família", frisou.

 

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