Igreja católica assinala a existência de presos políticos em Cuba


 

Lusa/AO online   Internacional   23 de Dez de 2015, 18:04

A Igreja Católica cubana disse que existem presos políticos na ilha, alguns deles a cumprir longas penas, apesar de o regime de Havana sempre o ter negado veementemente.

 

"Temos presos políticos, pessoas que cumprem penas longas", afirmou Jorge Serpa, bispo de Pinar del Rio, numa entrevista publicada na revista Palabra Nueva, uma publicação da arquidiocese de Havana.

A admissão colide com a posição do governo cubano, que nega a existência de presos políticos na ilha e considera delitos de direito comum os cometidos pelos dissidentes ou membros da oposição, designando-os como distúrbios da ordem pública ou insultos.

Na entrevista, Jorge Serpa, responsável da Comissão Pastoral Penitenciária da Igreja Católica em Cuba, acrescenta que existem "pessoas a cumprir 47, 40 anos de prisão".

"No meu grupo, há sete condenados a prisão perpétua e alguns deles são (presos) políticos", adianta.

De acordo com o bispo, as cerca de 250 prisões cubanas não têm capelas, mas há 10 anos que os sacerdotes podem dar apoio religioso aos prisioneiros que o solicitem.

Em meados do corrente mês, o procurador-geral de Cuba, Darío Delgado, assegurou que nenhum prisioneiro político estava detido na ilha, mas apenas "dissidentes autoproclamados", apoiados por "organizações contrarrevolucionárias".

A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional - organização proibida mas tolerada pelas autoridades - diz existirem cerca de 60 "prisioneiros de consciência" em Cuba, mas organizações como a Amnistia Internacional não confirmam o número.

Os EUA e Cuba iniciaram há um ano uma reconciliação histórica, após mais de 50 anos de um conflito herdado da Guerra Fria, tendo reatado relações diplomáticas e encetado negociações sobre imigração, direitos humanos e a luta contra o tráfico de droga.


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