Hospitais podem poupar até 20 por cento

Hospitais  podem poupar até 20 por cento

 

Lusa/AO online   Nacional   12 de Dez de 2007, 22:00

Os hospitais portugueses têm facturas de energia que podem ser reduzidas em 20 por cento com a utilização de tecnologias disponíveis no mercado, afirmou , no Porto, Paulo Pimentel, director de operações da Selfenergy.
      “Os edifícios hospitalares portugueses têm um potencial de poupança significativo, na ordem dos 15 a 20 por cento, sem ser muito optimista”, salientou o especialista, em declarações à Lusa.

    Na perspectiva de Paulo Pimentel, esta situação resulta, na maioria dos casos, de problemas relacionados com a antiguidade dos edifícios, mas também com a utilização de tecnologias ultrapassadas.

    “A eficiência energética passa muito pela redução dos consumos de iluminação, pela utilização de aparelhos de climatização mais eficientes e por sistemas de gestão técnica centralizada”, afirmou.

    Nesse sentido, revelou que, em Portugal, existem actualmente apenas três hospitais que utilizam sistemas de trigeração para produção de electricidade, calor e frio.

    Trata-se dos hospitais Pedro Hispano, em Matosinhos, Garcia da Orta, em Almada, e S. Francisco Xavier, em Lisboa.

    Paulo Pimentel, que falava à margem do colóquio “Como Poupar Energia nos Hospitais?”, frisou que o problema das elevadas facturas de energia das unidades hospitalares portuguesas passa também pela correcção dos tarifários, que “muitas vezes estão desajustados e desadequados em relação às necessidades”.

    Ao nível das modernas tecnologias, a poupança de custos, segundo este responsável da Selfenergy, pode envolver a utilização de combinações de painéis solares térmicos (para aquecimento de água) e fotovoltaicos (para produção de electricidade), de unidades de cogeração, normalmente pilhas de hidrogénio e turbinas a gás.

    Bastante distante ainda da eficiência energética encontra-se o Hospital S. João, no Porto, que, na perspectiva de José Pinheiro, director do Serviço de Instalações e Equipamentos, “é um desastre completo em termos de custos de energia”.

    Segundo este responsável hospitalar, esta unidade de saúde, em média, paga mensalmente 170 mil euros de energia eléctrica e 800 mil euros para a aquisição de nafta para alimentar as caldeiras.

    José Pinheiro admitiu à Lusa que “as tecnologias modernas são importantes para reduzir a factura energética”, mas defendeu que “primeiro é preciso educar as pessoas”.

    Por outro lado, salientou a importância de preparar o edifício hospitalar para receber as novas formas de poupança de energia, alegando que “introduzir novas tecnologias sem estar preparado para as receber, é deitar dinheiro fora”.

    Nesse sentido, o Hospital S. João está a implementar um vasto programa que inclui, entre muitas outras medidas, a renovação das 4.200 janelas do edifício e a mudança das 9.000 luzes para lâmpadas de baixo consumo.

    A recuperação do vapor que não é utilizado na lavandaria para aquecer a água utilizada no hospital e a produção de energia eléctrica com recurso a gás natural constam também deste programa, que se vai prolongar até 2010, altura em que o hospital estará integralmente climatizado.

    “Esperamos reduzir até 2010 cerca de 30 por cento da factura energética”, revelou José Pinheiro.

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