Hollande defende liberdade de expressão após protestos contra Charlie Hebdo

Hollande defende liberdade de expressão após protestos contra Charlie Hebdo

 

AO/Lusa   Internacional   17 de Jan de 2015, 10:13

O presidente francês, François Hollande, defendeu sábado a liberdade de expressão como um dos princípios e valores franceses, após protestos em vários países contra as caricaturas do profeta Maomé publicadas pelo semanário satírico Charlie Hebdo.

 

"Há tensões no exterior, onde as populações não compreendem o que é o compromisso com a liberdade de expressão", disse Hollande em Tulle, no sul da França, uma semana após os atentados terroristas em Paris, que causaram 20 mortos.

O chefe de Estado francês sublinhou que a "França tem princípios e valores" entre os quais se destaca "a liberdade de expressão", mas recordou que os Estados onde se registaram protestos contra o jornal atacado, como o Paquistão, Jordânia, Líbano ou Níger, são países que a França "apoiou na luta contra o terrorismo".

Vários países mostraram nos últimos dias a sua condenação das caricaturas publicadas pelo Charlie Hebdo na primeira edição após o ataque de 07 de janeiro à sua redação em Paris.

Dois homens encapuzados e armados, os irmãos Said e Cherif Kouachi, entraram na redação do Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas.

Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque foram mortos, na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, onde se tinham barricado.

Além do ataque contra o jornal satírico, outros dois incidentes violentos marcaram a semana passada na capital francesa.

Um dia depois, Amédy Coulibaly iniciou uma escalada de violência, matando a tiro uma agente da polícia e tomando de assalto um supermercado de produtos judaicos, que resultou na morte de quatro reféns e do próprio Coulibaly, abatido pela polícia.

Na sexta-feira, milhares de pessoas manifestaram-se em vários países muçulmanos após o lançamento, na quarta-feira, de uma nova caricatura do profeta Maomé na capa do Charlie Hebdo.

Os protestos mais graves ocorreram em Zinder, a segunda cidade do Níger, onde o Centro Cultural Francês foi incendiado por manifestantes, tendo os protestos causado quatro mortos e 45 feridos.

Já hoje, a polícia anti-motim do Níger usou gaz lacrimogénio para dispersar milhares de manifestantes junto à grande mesquita da capital Niamey.

Os manifestantes atiraram pedras contra a polícia e queimaram pneus, enquanto gritavam "Allah Akbar" (Deus é grande).

Mauritânia, Argélia, Senegal, Paquistão, Jordânia, Líbano e Turquia são outros países onde manifestantes saíram à rua contra o Charlie Hebdo, cuja capa da mais recente edição consideram insultuosa.

 

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