Hipnoterapeuta Antonieta Maio

Hipnose dá ao corpo a oportunidade de curar-se a si mesmo

Hipnose dá ao corpo a oportunidade de curar-se a si mesmo

 

João Rocha   Cultura e Social   6 de Jan de 2018, 09:30

A desenvolver atividade profissional na ilha Terceira, Antonieta Maio considera a hipnose uma “paixão que cresce todos os dias”. A hipnose “é um estado voluntário, só funciona quando a pessoa está disposta a entrar em transe, e não tem medo”, sublinha a hipnoterapeuta transpessoal.


Tendo como referência uma linguagem destinada sobretudo a leigos na matéria, qual é a função de um(a) hipnoterapeuta transpessoal?

Primeiro temos que saber o que significa o termo transpessoal, refere-se ao "espiritual", entenda-se por espiritual algo que não se baseia em crenças religiosas, credos ou o seguimento de personalidades supostamente "iluminadas", mas que, se refere ao grau de expansão da consciência. Desta forma, a terapia transpessoal, coloca-nos em contato com a nossa identidade essencial. Transpessoal significa "mais do que a pessoa", é considerado para a terapia como uma 'viagem' acompanhada ao ser profunda que somos.

Neste sentido, a função do(a) hipnoterapeuta transpessoal, é de acompanhante que tenta ajudar a pessoa a atingir níveis elevados de saúde psicológica. Fundamentalmente a função centra-se em ajudar a pessoa a desenvolver a capacidade de assumir ser responsável de si própria. Com esta função de acompanhante pretende-se levar a pessoa a observar os seus padrões mentais, e a entender a causa do seu mal-estar. Em fim, o(a) hipnoterapeuta ou terapia transpessoal é ajudar a pessoa a construir dentro de si própria as competências necessárias para que possa satisfazer de maneira saudável as suas necessidades a todos os níveis, sejam elas físicas, emocionais, mentais ou espirituais.

A terapia transpessoal consta de várias etapas ou fases. Em princípio, ajuda-se a pessoa em conflito a aliviar o sofrimento de que padece. Depois de atingir um certo grau de equilíbrio emocional, o(a) hipnoterapeuta Transpessoal ajuda a pessoa a fazer a abertura interior.

Uma vez aliviado o conflito, a dor na pessoa, a Terapia ou, no caso o(a) hipnoterapeuta Transpessoal, promove a abertura interior tendo como foco * a procura do sentido de vida; * o desenvolvimento da criatividade; * a intuição; * o ver a realidade que somos; * o desapego, distanciamento do ego, e poder observá-lo; * o amor sem dependência, incondicional, como o que somos na essência; * a transcendência.

Através da hipnose é possível obter resultados mais rápidos em termos de bem-estar mental?

Os resultados em termos de bem-estar mental são muitos rápidos, veja-se os dados publicados em Psychoterapy: Theory, Reseach and Practice: Psicanálise: 38% de recuperação depois de 600 sessões; Terapia Cognitivo-Comportamental: 72%de recuperação depois de 22 sessões; Hipnose: 96% de recuperação depois de 6 sessões.

A obtenção de resultados mais rápidos ou seja, ou seja, eficiência terapêutica da hipnose comparativamente com outras ferramentas vinculadas com a saúde mental, a taxa de recuperação e eficiência é muito superior, apresenta um score na ordem dos 96% em resultado positivo.

Quais as áreas, na perspetiva emocional, onde a hipnoterapia pode ser determinante na resolução de problemas complexos?

Toca em todas as áreas. A hipnose é uma intervenção clinica importante no tratamento de problemas psicológicos e médicos, ajudando na melhoria da qualidade de vida de muitos pacientes. A hipnose cria uma conexão perfeita com o mais profundo da mente inconsciente. Devemos ter em consideração, para entender isto, que a mente inconsciente é responsável por suportar todas as funções necessárias ao organismo, para que este funcione impecavelmente.

Em hipnoterapia, quando a pessoa está em estado de relaxamento profundo, a mente consciente está ampliada, as sugestões hipnóticas aplicadas serão aceites sem os filtros da consciência, que em estado vígil, as invalidariam. Imaginemos que alguém nos afirma garantir que irá melhor o funcionamento do nosso coração, possivelmente há uma voz dentro de nós que responde: “sim, gostaria, mas não sei como isso pode acontecer”. Quando se está sob hipnose, esta réplica interna, este contraditório não se produz, a mente inconsciente tem a liberdade de aceitar as sugestões, fazer internamente mudanças surpreendentes, ou seja, pode resolver tudo.

Porque, com a hipnose através da sugestão, ajudamos a pessoa a mudar as suas crenças, de modo que a experiência hipnótica percebida seja a de que é uma pessoa sã, física, mental, emocional e espiritual. Se bem que, seja importante saber-se, que este processo vai mais além de doenças psicossomáticos, porque a hipnose também dá ao corpo a oportunidade de curar-se a si mesmo. Nesta perspetiva, para a hipnose, não há problemas complexos, nem limitações.

Como pode a hipnose, por exemplo, ajudar a ultrapassar um problema como uma rutura amorosa?

Com a hipnose transpessoal, normalmente, o desconforto emocional, o sofrimento com a rutura amorosa, em apenas quatro sessões o evento está ultrapassado, para casos de circunstâncias de maior complexidade emocional, digamos um maior “trauma”, num máximo de seis sessões, nunca mais que isso, o evento traumático fica superado.

Para se compreender esta dinâmica convêm ter presente o seguinte. Nem todas as pessoas reagem de igual modo perante a rutura amorosa, o evento traumático. Pensar que o nosso mundo está a tornar-se confuso e inseguro, que temos sentimentos e emoções desencontradas, que sentimos raiva, cólera e tristeza ao mesmo tempo, é normal nestas circunstâncias. Também, nestas circunstâncias, reveste-se de particular importância considerar que uma rutura amorosa requer um luto e que o luto requer de tempo e esforço, que depende da situação individual de cada um, do tipo de relacionamento mantido com a pessoa, das circunstâncias que envolve a rutura da relação e dos traços de personalidade de quem os vivencia.

Geralmente numa rutura amorosa, evento, a pessoa tenta encontrar explicações, uma satisfação, uma reparação, ou até uma reconciliação imediata é com frequência impossível, este evento, por vezes, ou este processo, tarda demasiado tempo a desaparecer ou nunca é alcançado. A ferida do evento permanece aberta, a dor não se cura e a pessoa converte-se numa pessoa angustiada, frustrada, amargurada, mal-humorada, temerosa, pessimista, solitária, obsessiva, culpada, agressiva, conflituosa e …doente, pois a memória e as emoções negativas e os sentimentos encontrados, causam na pessoa muito sofrimento, muita dor.

Para a pessoa se libertar do fardo de memórias que causam sofrimento e a limitam, a tal rutura amorosa, mas podemos estender esta libertação a outros eventos traumáticos, a pessoa deve primeiro encarar o trauma e perdoar. Aqui a hipnose, melhor a hipnose transpessoal, tem particular importância, porque de forma rápida (quatro sessões), ajuda a pessoa a superar o trauma.

O “misticismo” ainda surge muito associado à hipnose. Acha possível desconstruir este (pre)conceito?

Algumas pessoas chegam na 1ª sessão com medo, têm uma ideia mágica da hipnose, a que se tem transmitido nos media, nestes casos, o trabalho inicial do(a) hipnoterapeuta é desmitificar, é fazer o que em terapia se identifica como “Rapport”. A hipnose é difícil de explicar, é daquelas coisas que há que viver para compreender.

Em consultório, quando se torna necessário desmistificar a hipnose e falar sobre os mitos que a envolvem, é habitual dar o exemplo das “Três grandes falácias que envolvem a hipnose”:

1.   A perda de controlo. É falso que quem está sob hipnose perde o controlo. As pessoas sob hipnose não são «marionetes» nas mãos do(a) hipnoterapeuta nem perdem a consciência nem dizem ou fazem coisas contra a sua vontade;

2.   A aquisição de poderes. A hipnose não dá mais memória nem mais capacidades físicas ou mentais;

3.   A ausência de esforço. Esta prática não funciona com sujeitos passivos, exige esforço, participação e constância, como qualquer outra ferramenta para a saúde.

O “misticismo” olhado pela ótica, de que por meio do emprego de emoções, na hipnose, se pode fazer tipo lavagem cerebral e outras diferentes manipulações, não é possível, é uma falácia.

 A hipnose pode ser complementar a outros tratamentos?

Sim, sem dúvida. A hipnose é um estado de focalização sensorial em que a pessoa está focada nas suas vivências internas. É muito útil terapeuticamente como coadjuvante, ou seja, quando usada como uma ferramenta de apoio dentro de um tratamento médico, num caso de fibromialgia, por exemplo, pode-se utilizar medicação e hipnose, porque a evidência indica que aumenta a eficácia e a eficiência do tratamento global.

Outro exemplo, em pode ser complementar, quando uma pessoa quer deixar de fumar, a hipnose é um apoio, mas a pessoa tem que vir à consulta convencida de que quer deixar o tabaco, a hipnose só por si nada resolve sem a vontade e querer da pessoa.

O medo, a angústia, a confusão, a ansiedade, o luto, a dor… e a depressão são alguns exemplos do que a hipnose pode tratar autonomamente ou como complementar a outros tratamentos.

Qual a eficiência terapêutica da hipnose transpessoal?

A eficiência do protocolo “Emocional Lúmen”, exclusivo da Transpessoal Portugal, aplicação hipnoterapêutica em pacientes com problemas psíquicos - sentimentos, emoções, pensamentos, atitudes e somatizações – o alívio e cura cognitiva, física, comportamental e emocional através de terapias rápidas (seis sessões), cifra-se na ordem dos 96% de eficácia. Somente por isto, podemos extrair que a hipnose e muito concretamente a Hipnose Transpessoal é a única forma rápida de entrar na mente das pessoas e trabalhar as verdadeiras “causas” dos problemas, sejam emocionais, comportamentais, fisiológicos ou até mesmo espirituais, revertendo os “sintomas”, numa área terapêutica dinâmica, considerada por muitos a “medicina do futuro”.

Como foi “seduzida” para exercer nesta área?

Desde sempre tive um particular fascínio pelas coisas da mente inconsciente, a hipnose seduz-me, porque é uma ferramenta altamente eficaz para comunicarmos com a mente inconsciente. Poucas pessoas se dão conta do poder que a sua mente inconsciente tem sobre as suas vidas. Muitos dos nossos hábitos e comportamentos são baseados em vivências que a nossa mente consciente talvez já não se lembra, no entanto na mente inconsciente estão registadas essas vivencias como memórias inconscientes. A hipnose ajuda a aceder a essas memórias e processá-las de uma forma saudável e protegida, com a qual se alcançam mudanças nos hábitos e comportamentos não desejados mais rapidamente.

Muitas pessoas preguntam-me qual é a diferença entre hipnose e auto-hipnose. Na realidade toda a hipnose é auto-hipnose, uma vez que é a pessoa mesmo que se coloca em transe. Às vezes ajuda-se com ferramentas externas, pode ser música, com uma pessoa que vai guiando (hipnoterapeuta), mas no fim todo o processo de entrar em transe o faz a própria pessoa.

É importante assinalar que a hipnose é um estado voluntário, só funciona quando a pessoa está disposta a entrar em transe, e não tem medo. As sugestões funcionam unicamente quando a pessoa está disposta a aceitá-las. É impossível obrigar alguém a fazer algo que não combina com as suas crenças e valores.

Esta minha paixão, este meu gosto pela hipnose, cresce dia a dia, porque sempre que a utilizo constato alcançar “conectar” diretamente com a mente inconsciente das pessoas, o que me permite fazer um trabalho terapêutico profundo, ajudando-as a obter os resultados desejados.

Isto deixa-me completamente “seduzida”.



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