Haxixe é a droga mais apreendida nos Açores pela PJ, mas heroína causa grande preocupação

Haxixe é a droga mais apreendida nos Açores pela PJ, mas heroína causa grande preocupação

 

AOnline/LUSA   Regional   14 de Fev de 2015, 09:52

O haxixe foi a droga mais apreendida nos Açores pela Polícia Judiciária em 2014, mas a PJ manifesta grande preocupação em relação à heroína.

“No ano de 2013, este departamento da PJ a nível nacional, e entre todas as polícias, foi aquele que apreendeu maior quantidade de heroína", afirmou o coordenador da Polícia Judiciária (PJ) nos Açores, João Oliveira, em declarações à Lusa, acrescentando que aquele foi "um ano atípico em termos de apreensão".

Em 2013, a PJ "apreendeu cerca de 16 quilos de heroína" nos Açores, segundo João Oliveira, que sublinhou que, porém, o consumo desta droga, aquela "que tem maior danosidade social", não é só preocupante no arquipélago.

Em 2014, a Judiciária apreendeu nos Açores cerca de 35 quilos de haxixe, cerca de um quilo de cocaína e seis quilos de heroína e deteve 11 pessoas em casos relacionados com drogas.

"No que diz respeito ao haxixe, há aqui um aspeto que merece algum relevo, porque aumentou consideravelmente o volume de apreensão de haxixe, relativamente ao ano de 2013 (...), e para isto contribuiu uma apreensão feita em maio de mais de 20 quilos de pólen de haxixe" na ilha de São Miguel, indicou João Oliveira.

Além disso, foi efetuada “uma apreensão de grande magnitude” de “mais de seis mil unidades de produtos anabolizantes” com aparência semelhante a medicamentos. Houve ainda uma apreensão de produto de corte (substâncias muito mais baratas que são adicionadas à droga, nomeadamente, comprimidos), o que, neste último caso, "indicia que a preparação vai ser feita no arquipélago".

Uma parte "muito significativa" da droga apreendida entrou no arquipélago por via aérea e a outra por via marítima, de acordo com o coordenador da PJ nos Açores, que acrescentou que a perceção é que a cocaína "não é uma droga muito implantada, em termos de consumo, no arquipélago", quando feita uma comparação com a heroína e o haxixe.

Embora tenha diminuído, em 2014, o total de apreensões de heroína, para o coordenador da PJ nos Açores, foram, ainda assim, "um número considerável", tendo em conta o número de habitantes das ilhas.

“Isto tem que nos preocupar e muito, por ser a heroína uma droga com elevado grau de danosidade social e tendo os Açores as características geográficas que têm, e tendo a população que tem”, afirmou João Oliveira.

O responsável alertou também para um fenómeno ligado a esta problemática, em concreto, o pequeno tráfego de medicamentos utilizados no combate a determinado tipo de doenças e que os toxicodependentes usam como droga de substituição, por exemplo, da heroína, "em razão da sua composição química e dos efeitos que produz no organismo".

Além disso, "o consumo de heroína tem efeitos altamente perniciosos na saúde do indivíduo, no seu comportamentos social e nas ligações que tem com outras áreas da criminalidade, estando intimamente associado à pequena criminalidade", referiu o coordenador da PJ nos Açores, para quem, "do ponto de vista social, em termos de impacto na comunidade", este é um fenómeno "que tem" de preocupar e, sobretudo, as "entidades com um papel ativo" no seu combate.

João Oliveira referiu ainda que devido à sua "localização geográfica", os Açores estão na rota do tráfego internacional de cocaína, por via marítima, mas a droga que algumas embarcações de recreio trazem até às ilhas "não se destinará ao mercado açoriano, mas sim a outros mercados".


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