Habitantes das Furnas organizam movimento contra aplicação de taxas na lagoa

Habitantes das Furnas organizam movimento contra aplicação de taxas na lagoa

 

Lusa/AO Online   Regional   11 de Fev de 2015, 07:55

Um grupo de cidadãos formou um Movimento de Contestação às Tarifas da Lagoa das Furnas, na ilha de São Miguel, nos Açores, considerando que a medida "não tem cabimento" e pode afastar visitantes daquela zona.

“O grupo concorda com a tarifa aplicada para a conceção dos cozidos, porque é uma mais-valia para ajudar na manutenção da zona envolvente da lagoa das Furnas, mas no que diz respeito às tarifas da entrada, estacionamento, utilização de mesas e casas de banho, estamos contra”, declarou Elizabeth Medeiros, porta-voz deste movimento, que vai reunir-se com o secretário regional do Ambiente para abordar esta matéria.

Na sequência de um acordo entre o presidente da Câmara Municipal da Povoação e o secretário regional do Ambiente, em 2014, a autarquia deliberou que locais, turistas e restaurantes passariam a pagar para confecionarem o famoso cozido das Furnas, bem como para usufruírem do espaço envolvente à lagoa.

Elisabeth Medeiros disse à Lusa que do Movimento de Contestação às Tarifas da Lagoa das Furnas fazem parte, para além de naturais das Furnas, proprietários de casas de veraneio na freguesia e pessoas ligadas à restauração.

A porta-voz deste grupo lembrou que que já foram apontados vários valores para as taxas que vão ser cobradas, ainda não confirmados oficialmente, como o pagamento de 0,50 euros para entrar no espaço e cinco euros para estacionar.

Há também a indicação, ainda de acordo com Elizabeth Medeiros, de que os habitantes das Furnas estarão isentos do pagamento da entrada no espaço da lagoa.

Elizabeth Medeiros disse que existe o medo de que as pessoas deixem de frequentar o espaço e procurem alternativas, com prejuízo para a economia local.

Os membros deste movimento receiam, por outro lado, que a paisagem fique “completamente descaraterizada” com as portagens que foram colocadas no local.

“Sabemos que existe este tipo de solução em outras localidades e países, mas não podemos comparar a nossa economia nem a situação que as pessoas atravessam atualmente. Não tem cabimento. A natureza ofereceu-nos aquela paisagem maravilhosa e agora estão a obrigar as pessoas a pagar”, declarou.

O movimento congratula-se com a postura “muitíssimo correta” do presidente da câmara da Povoação, Carlos Ávila, de auscultar a restauração das Furnas na solução encontrada para os cozidos, mas lamenta que não tenha havido diálogo com a comunidade local.

“Ficámos à espera que o presidente da Câmara Municipal da Povoação fizesse a mesma coisa. Só que nunca reuniu, nunca conversou com ninguém na comunidade. Ficámos também à espera da própria Junta de Freguesia das Furnas, que é quem nos representa”, referiu ainda Elizabeth Medeiros.


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